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BE candidata Jorge Mendes e promete mais independentes

Bloco de Esquerda da Guarda quer «atrair os indecisos e os desiludidos» com a política e os políticos

Jorge Mendes pode ser o primeiro de muitos independentes na lista que o Bloco de Esquerda (BE) vai apresentar às próximas legislativas pelo círculo da Guarda. «O partido não colocou entraves quanto à possibilidade de haver quatro independentes nos primeiros lugares», revela o cabeça-de-lista, que foi apresentado oficialmente na segunda-feira.

«Vai haver surpresas nos próximos dias», adiantou, por sua vez, Marco Loureiro, para quem «não há admiração nenhuma» por o Bloco apostar nos independentes. «Essa sempre foi a nossa matriz, ao contrário das mistificações dos grandes partidos e de outros mais recentes», acrescentou o coordenador distrital. Esta abertura à sociedade foi justificada com o objetivo de «atrair os indecisos e os desiludidos com a política e com os políticos», declarou o antigo presidente do IPG, que foi militante do PS em Gouveia. Para Jorge Mendes, «a nossa ambição é que as pessoas percebam que há alternativa». Contudo, esta aposta não é inofensiva e terá também a ver com a minimização dos danos que os movimentos criados por Ana Drago e Rui Tavares (Livre) e Joana Amaral Dias (Agir), antigos dirigentes do BE, poderão causar ao Bloco nas eleições para a Assembleia da República.

Por cá, Marco Loureiro admite que o partido não tem conseguido «sair do concelho da Guarda», pelo que Jorge Mendes é «o candidato certo» para que o BE esteja «na rua com uma força fora do normal». O dirigente considera mesmo que o atual Provedor do Estudante no IPG é «o candidato mais forte que o Bloco alguma vez apresentou na Guarda». «É um nome de peso e a pessoa certa para defender o distrito na Assembleia da República», afirmou o coordenador distrital. É que, para Marco Loureiro, os deputados eleitos pelo círculo da Guarda têm «ficado muito aquém do que lhes é exigido pelos eleitores em vários assuntos muito importantes para a nossa região. O último dos quais foi o chumbo novamente do fim das portagens na A25 e A23», criticou.

Além de temas nacionais, Jorge Mendes, de 58 anos, propõe-se lutar pelo fim das portagens e da melhoria das acessibilidades, com destaque para a reabertura do troço Guarda-Covilhã da linha da Beira Baixa, mas também pela manutenção de serviços públicos «de qualidade e próximos das pessoas». A saúde, justiça, cultura, ambiente, turismo e a «transparência na administração pública» são outras prioridades do candidato. Jorge Mendes revelou que aceitou o convite do BE porque «chegou o momento de deixarmos de ser espetadores para sermos atores», pois foram pedidos sacrifícios aos portugueses «em nome dos mercados, do pagamento de juros exorbitantes e para salvar bancos», e isso traduziu-se em «mais pobreza, na emigração massiva de jovens e na destruição do Estado social». O cabeça-de-lista declarou que o Bloco insere-se na sua «área ideológica, mas não concordo com tudo o que defende ou propõe». Há quatro anos, o BE perdeu 4.628 votos comparativamente às legislativas anteriores e voltou a ser a quinta força política mais votada no distrito.

Luis Martins «A nossa ambição é que as pessoas percebam que há alternativa», afirma o ex-presidente do IPG

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