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Fevereiro

Editorial

As próximas semanas são das mais intensas e aguardadas do ano. As feiras do queijo da Serra são, desde logo, o ponto de partida para todas as aventuras gastronómicas em Aguiar da Beira (Mosteiro, Penaverde), Celorico da Beira, Fornos de Algodres, Seia… e onde houver queijo para provar e comprar – porque o queijo da Serra é a maior das delícias que por aqui se fazem. Mas também o fumeiro, que faz parte da mais genuína e ancestral gastronomia beirã, com os enchidos a secarem nas varas caseiras, enquanto apuravam os sabores autênticos e únicos, que tanto tardaram em sair para a rua e assumirem um papel central na degustação e na exposição comercial – agora, entre a novel feira de fumeiros de Belmonte e a indelével referência regional que é a feira de fumeiro de Trancoso, encontramos notáveis exemplos de dinamização socioeconómica, em que os sabores e a tradição são chamados à coação e a gula domina as vontades nas rotas gastronómicas do Sabugal ou na feira de caça de Vilar Formoso.

A região enche as medidas, e a barriga, de qualquer visitante ou provador por mui exigente que seja na sua degustação e prescrição. Animação e variedade, o artesanato e o vinho, dão à feira das tradições de Pinhel, o lugar cativo de maior evento regional, com o melhor cartaz e a maior mobilização.

Mas é na natureza que está o clímax do chamamento regional: a norte, Foz Côa, «um concelho, dois patrimónios mundiais», um museu de arte contemporânea que celebra o paleolítico, os vinhos de um Douro superior e, nas próximas semanas, a festa da paisagem: as amendoeiras em flor; o manto branco que a partir de fevereiro se vai formando nos concelhos de Foz Côa e Figueira de Castelo Rodrigo são uma representação singular que anualmente atrai milhares de visitantes de todas as latitudes para um espetáculo ímpar que a natureza oferece.

A Natureza é o que de melhor temos para “vender” – a Serra da Estrela, a paisagem, o ambiente, a fauna e a flora, os contrastes e as cores, o ar puro (para além do “ar da Guarda”), as nascentes, as ribeirais e os rios (o Douro, o Côa, o Mondego, o Zêzere…), as pedras e penhascos, os montes agrestes (mesmo que queimados e quase despidos de vegetação…) e os vales profundos e frescos. Ou o património arquitetónico, as aldeias históricas, as tradições e os lugares, a história e as histórias, e a Cultura (da cultura popular às artes performativas, do Museu do Côa ao dos Descobrimentos em Belmonte, do Teatro Municipal da Guarda à Moagem – Cidade do Engenho e das Artes no Fundão…

São tantas as razões para “chamar” os forasteiros; são tantos os argumentos para atrair visitantes. E até há o Carnaval! Por aqui, autêntico, genuíno, sem recurso ao samba ou às estrelas de novelas, de revista, humorado e de tradição popular – o Carnaval da Neve, o de Gouveia, o de Vila Franca das Naves, o de Famalicão da Serra, o de Penamacor ou até o do Toro em Ciudad Rodrigo (que sendo “do lado de lá”, também pode ser uma forma de atrair turistas para visitarem “o lado de cá”) e o do “Galo”, na Guarda (este ano menos genuíno, com o chamariz e intruso Herman…).

O período de Carnaval afirmou-se na região como um tempo de diversão e de atração turística, com cartaz variado e de qualidade. É este cenário de dinâmica e diversidade cultural e económica que deve ser promovido e aproveitado – talvez sejam muitos eventos a concorrer entre si, mas estas são semanas de oportunidade que, certamente, todos querem aproveitar.

PS: Foi com consternação e pesar que recebemos a notícia do falecimento do nosso camarada e amigo Maia Caetano que muito lamentamos. Apresentamos condolências à família e ao jornal Pinhel Falcão de que era diretor.

Luis Baptista-Martins

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