O Armindo Castro está declarado culpado do crime da tia Odete. A mãe dele nunca acreditou no crime e escreve-lhe diariamente e visita-o amiúde. Chora a mãe e clama o filho por inocência. Armindo estudou criminologia e deve perceber onde foi cair a acusação e o percurso que o levou aos calabouços. Na cadeia, condenado a mais de uma dezena de anos, descobre-se que Artur Gomes se diz autor do crime da Odete. O Ministério Público sabe agora que Armindo pode estar preso por um crime que não cometeu. Armindo sabe no calabouço que outro se penitenciou da morte da tia. Agora descobrimos todos que a presunção de inocência não nos tira da cadeia. O Artur não falou perante um juiz e portanto o possível inocente aguardará preso que o juiz autorize a libertação. Claro que eu, que sou um idiota, estou para entender que o Armindo esteja preso se outro confessa e ele se afirma inocente. Claro que eu, na minha menoridade, gostava de entender o que faria o mesmo magistrado se Armindo Castro fosse seu filho e ilibado do crime por confissão de terceiro. O sistema judicial português tem algo de muito doente se mantiver um inocente preso nem que por uma só hora. Prefiro vários ladrões livres a um inocente encarcerado e essa deve ser a voz da palavra “in dúbio pró réu”.
Por: Diogo Cabrita



