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PJ da Guarda põe termo a mais um caso de escravidão

Sete trabalhadores foram libertados e cinco homens foram constituídos arguidos em Figueira de Castelo Rodrigo

Sete sem-abrigo foram recrutados em Coimbra, Lisboa e Aveiro para trabalhar na agricultura, mas acabaram escravizados na zona de Figueira de Castelo Rodrigo, no distrito da Guarda, ou em quintas espanholas. O caso começou a ser investigado pela Polícia Judiciária (PJ) da Guarda no segundo semestre do ano passado e culminou, na passada segunda-feira, com o anúncio da detenção de cinco homens por suspeita de crimes de escravidão e tráfico de pessoas. As vítimas, com idades entre os 20 e 40 anos, foram libertadas.

«Os angariadores dedicavam-se a realizar trabalhos agrícolas em propriedades dos dois lados da fronteira que eram efectuados pelas vítimas sem que lhes fosse paga qualquer remuneração. Em troca, apenas tinham direito a tabaco e comida. Apurou-se ainda que alguns até ficavam sem receber os valores do rendimento de inserção de que beneficiavam», adiantou Artur Vaz. O coordenador da PJ da Guarda acrescentou que todos, entre os quais um cidadão espanhol, viviam «em barracas sem condições» e que eram agredidos «com frequência», além de terem ficado sem documentos. O pesadelo terminou na semana passada após uma operação policial, que contou com a colaboração da GNR, em cumprimento de diversos mandados de busca emitidos no âmbito de um inquérito judicial.

Cinco homens foram constituídos arguidos, mas um deles acabou detido fora de flagrante delito por recaírem sobre ele «fortes suspeitas da prática daquele tipo de crimes», adianta a PJ em comunicado. As diligências da Judiciária resultaram ainda na apreensão de duas armas de fogo e de uma quantidade significativa de droga, tendo o homem que estava na sua posse sido igualmente detido e indiciado pela presumível prática dos crimes de posse ilegal de arma e de tráfico de estupefacientes. Presente a tribunal, estes dois suspeitos, de 29 e 44 anos, ficaram obrigados a apresentações periódicas às autoridades da sua área de residência. Desde 2005, a PJ da Guarda registou 24 inquéritos sobre sequestro, tráfico de pessoas e escravidão, dos quais sete deram lugar a propostas de acusação.

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