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Contagem decrescente para o encerramento dos SAP

Ministra da Saúde oferece helicóptero do INEM ao distrito, mas autarcas não vão na conversa

Os Serviços de Atendimento Permanente (SAP) do distrito assinalados há mais de um ano pelo Ministério da Saúde deverão encerrar no primeiro semestre de 2009. Em troca, a região passará a dispôr de um helicóptero, sedeado em Aguiar da Beira.

Em entrevista ao semanário “Expresso”, Ana Jorge afirmou que é preciso «criar condições para acabar com os períodos nocturnos, porque não têm sentido para existir». É que, na opinião da ministra, os SAP representam «um consumo de recursos sem benefício para a população. Pelo contrário, reduzem o tempo de consultas durante o dia», já que implicam a presença de profissionais em locais onde o número de doentes a partir da meia-noite é diminuto. Quando inaugurou os Centros de Saúde de Gouveia e Manteigas, em Julho último, a ministra adiou “sine die” o encerramento dos 11 SAP do distrito e garantiu que o fecho só aconteceria quando houvesse condições para tal. O que vai acontecer brevemente, com a entrega de três helicópteros – em Ourique, Macedo de Cavaleiros e Aguiar da Beira. Em consequência, fecham quase duas dezenas de serviços do Norte e Centro do país.

Contudo, a “moeda de troca” proposta por Ana Jorge não agrada aos autarcas da região. «É uma anedota triste», critica João Mourato. «O encerramento dos SAP é mais uma medida para prejudicar a população envelhecida do interior», considera o presidente da Câmara da Mêda, para quem a população vai ficar «desprovida de atenção e assistência médica por causa de um Governo que só nos desgoverna». De resto, alerta também para o facto da actuação do helicóptero poder vir a ser condicionada por factores climatéricos, «como o nevoeiro, sobretudo à noite». Já o edil de Pinhel prefere acreditar que há «outras soluções e outros meios para uma saúde melhor». António Ruas considera que «estamos longe de ser eficazes e rápidos em matéria de saúde», acrescentando que um helicóptero não resolve o problema. «Nem de longe nem de perto», garante.

O presidente da Câmara de Almeida é que não está pelos ajustes. Menos comedido na contestação, Baptista Ribeiro tem a certeza de que esta reorganização não se concretizará. «Vou opor-me de forma intransigente», promete, apelidando a medida do Governo de «terceiro-mundista e altamente gravosa para a população». Até porque, para se fecharem os SAP, «é necessário um hospital da Guarda remodelado ou ampliado, já que o actual não tem capacidade para acolher tantos utentes». Pelo meio, o autarca ameaça repetir a manifestação que reuniu «metade dos habitantes do concelho». Quanto ao helicóptero, admite que é «necessário e bem-vindo, mas não é suficiente».

Por sua vez, Manuel Rito, autarca do Sabugal, é peremptório e garante que não concorda com as intenções do Ministério da Saúde. «O Sabugal está a mais de 30 minutos, e alguns locais deste município a mais de uma hora, do hospital de referência», recorda, sublinhando que as contrapartidas «são insuficientes». Em Trancoso, Júlio Sarmento está expectante. «Considero positivo que a ministra tenha mostrado vontade de dialogar com os autarcas», diz apenas. Mais «sereno» está Fernando Andrade, de Aguiar da Beira, para quem o helicóptero – «e uma ambulância devidamente apetrechada» – serão suficientes para responder às necessidades dos utentes. «A capacidade de resposta será aumentada e pior seria se não houvesse helicóptero», refere.

Rosa Ramos

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