As autarquias de Almeida, Guarda e Pinhel já estão a proceder ao levantamento dos prejuízos causados pelo incêndio que começou no dia 27 de julho, no Rochoso (Guarda), e foi dominado na madrugada de dia 29 depois de alastrar aos municípios vizinhos.
«Arderam pastagens de animais, terrenos florestais, de azinheiras, castanheiros e carvalhos, alguns terrenos agrícolas e pequenas palheiras. Sem dúvida alguma que chegaremos rapidamente a algumas centenas de milhares de euros de prejuízos», disse o presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, a O INTERIOR. Para o autarca, «a boa notícia é que não há dano humano, a não ser um ou outro ferido, muito ligeiro, nem arderam propriedades ou habitações». O município iniciou o levantamento dos prejuízos, com o apoio das Juntas de Freguesia afetadas. Na hora do rescaldo, Sérgio Costa voltou a criticar a forma como decorreu o combate ao fogo, que começou na localidade do Rochoso, no concelho guardense, pelas 13h39 de 27 de julho. «O sistema de coordenação do combate aos fogos florestais faliu. Aconteceu o que aconteceu no ano passado, em 2022 e continua a acontecer tudo exatamente da mesma forma e ninguém faz nada para melhorar o “estado da arte” e isso não pode acontecer», apontou.
«Não percebo porque é que a UEPS da GNR foi apenas chamada na terça-feira [dia 28], à hora de almoço, e não na noite anterior. E também não percebo como é que o ICNF não estava no fogo quando sabemos que havia máquinas e funcionários parados na Guarda», criticou. Em Almeida, António José Machado, autarca local, realçou que o concelho tem «a maior percentagem de área ardida» desta ocorrência e as chamas chegaram a ameaçar as povoações de Cabreira, Porto Mourisco e Leomil. «O núcleo da aldeia de Freixo, que fica na Estrada Nacional 16, esteve em risco», admitiu. Quanto a prejuízos, o edil referiu que o levantamento foi iniciado, mas adiantou que arderam «pastos, terrenos agrícolas, áreas florestais e houve casos pontuais de perda de animais e barracões».
António José Machado acrescentou que, «felizmente, não há muitos danos pessoais e materiais para registar, mas há situações em que teremos que ajudar na alimentação dos animais. Já estamos a fazer esse levantamento com as Juntas de Freguesia e o Gabinete do Agricultor da Câmara». Sobre o combate ao fogo, o edil almeidense considerou que «se tivéssemos recebido mais meios mais cedo, talvez tivéssemos conseguido diminuir o avanço» das chamas. «Este incêndio tem 40 quilómetros de perímetro, não é fácil colocar meios em todos os locais. Houve momentos de grande aflição, em que não havia meios suficientes, depois chegaram em força, já na parte final, foi quando também se conseguiu debelar o fogo», acrescentou.
Para o social-democrata, os populares voltaram a ser importantes para travar as chamas: «As pessoas juntaram-se e a vieram para as zonas de caminhos e de estradas e, todos juntos, conseguiram fazer um trabalho fantástico e parar o fogo na EN324. Caso contrário, seguia para em direção ao Vale do Côa e ficaria tudo ainda mais complicado», considerou. Em Pinhel, o levantamento dos prejuízos também já está em curso. «Sabemos que não há habitações que tenham ardido e ainda não temos conhecimento de instalações de apoio à agricultura, armazéns ou alfaias que tenham sido perdidas, nem tão pouco de animais. Os prejuízos são essencialmente ao nível das pastagens e de campos agrícolas», indicou a presidente da Câmara, Daniel Capelo. A autarca acrescentou que o trabalho de verificação de eventuais prejuízos destina-se a perceber como a Câmara poderá ajudar os lesados. Daniela Capelo não se quis pronunciar sobre os «aspetos operacionais» do incêndio, constatando apenas que foi «uma operação muito complexa, de coordenação de muitos meios». Daniela Capelo lembrou que houve «cerca de 700 operacionais no teatro de operações e admito que haja necessidade de afinar algumas situações de coordenação».




