Os bombeiros da Guarda sentem-se mal-amados pela população da cidade e, para tentar contrariar esta ideia, saíram à rua para mostrar que não servem só para apagar fogos, mas também para ajudar quem precisa. A corporação aproveitou as comemorações do seu 130º aniversário, assinalado no domingo, para pôr à prova algumas das suas valências e cativar os cidadãos para a causa. Na semana passada houve rastreios, acções de sensibilização e simulacros de desencarceramento e de salvamento em prédios.
«Ao contrário das populações das nossas aldeias, os guardenses não têm uma boa relação com os seus bombeiros, há mesmo pouco entrosamento, pelo que decidimos vir para a rua para dizer que estamos cá e mostrar aquilo que sabemos e somos capazes de fazer», adianta Luís Santos, para quem os munícipes apenas se lembram dos “soldados da paz” quando precisam. O comandante diz que os voluntários são «”pau para toda a colher”», mas que, em contrapartida, a cidade retribui muito pouco. «Temos 125 voluntários que fazem regularmente serviço e que servem a Guarda a custo zero, 24 horas por dia, todos os dias», recorda. Luís Santos também não pede muito, apenas «algumas palavras em vez das críticas, porque só quem não faz nada é que não erra» e a concretização de um desejo: «Esperamos que, um dia, cada família desta cidade seja sócia dos bombeiros, pois se cada uma dispensasse um euro por mês [o valor das quotas] melhoraríamos muito nas áreas em que estamos carenciados», desafia. Segundo dados oficiais, a corporação efectua anualmente uma média de 8.500 serviços, que vão desde salvar animais, ao desencravamento de fechaduras, à limpeza de chaminés e ao transporte de doentes, mas também à emergência médica e aos incêndios. «O nosso lema é fazer bem aquilo que sabemos, por isso é que quem não tem formação não tem lugar neste corpo», garante.
A prova foi dada nas várias actividades desenvolvidas pelo corpo activo entre 1 e 5 de Agosto. Dos rastreios efectuados em vários pontos da cidade aos simulacros, tudo serviu para os voluntários guardenses mostrarem serviço. Em destaque esteve a acção realizada no sábado no Hotel Vanguarda, em que intervieram 10 profissionais especializados neste tipo de resgate e salvamento em edifícios urbanos. «É a mais recente valência deste corpo de bombeiros, que está agora apto a garantir eficácia e eficiência em intervenções do género», sublinha o comandante. Por isso, Luís Santos não entende por que é só se olha para os defeitos da corporação e dos seus elementos: «Criticar é fácil, mas se as pessoas olharem para o conjunto e para toda a nossa actividade, penso que irão ver um bom trabalho», considera, adiantando que os voluntários da cidade «não se poupam à formação para que as tarefas sejam bem feitas». No entanto, «haverá sempre alguém menos educado e actuações menos bem sucedidas», reconhece, apelando à compreensão dos munícipes e, sobretudo, à sua contribuição.
Luis Martins


