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Incêndio na Serra da Estrela destruiu cerca de 2.350 hectares

Consequências do fogo preocupam responsáveis autárquicos e o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas

O incêndio que lavrou na semana passada no Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) destruiu cerca de 2.350 hectares de mato e floresta, de acordo com as primeiras estimativas dos responsáveis autárquicos. O fogo foi dado como dominado cerca das 15h30 da última quarta-feira, mais de 48 horas depois de ter deflagrado no concelho de Gouveia e ter alastrado ao município de Manteigas.

Neste concelho, José Cardoso, vice-presidente da Câmara, adianta num primeiro balanço que as chamas consumiram cerca de 650 hectares, o que levará «muitos anos a recuperar». Apesar de não ter havido habitações em risco, o autarca acrescentou que os prejuízos têm mais a ver com a «biodiversidade, fauna e flora que desapareceram» e ainda com a qualidade da água do rio Mondego. «Receio que venha a haver problemas no abastecimento às populações, nomeadamente na Guarda, quando as primeiras chuvas levarem as cinzas para o rio», alerta José Cardoso. Na área de Gouveia, o presidente da autarquia aponta para cerca de 1.700 hectares destruídos. «Grande parte do concelho inserido no PNSE foi consumido pelas chamas, representando uma perda patrimonial e natural incomensurável», referiu Luís Tadeu. O edil reforçou que o terreno declivoso e inacessível e as condições atmosféricas, particularmente o vento, «dificultaram muito» o combate ao fogo.

Quanto às consequências deste desastre ambiental, Luís Tadeu é taxativo: «A Serra perdeu grande parte ou a totalidade da sua capacidade de retenção de água e quando começar a chover, no outono, vamos certamente ter problemas com aluimentos e transporte de areias e terras pelas encostas», receia. Já o diretor da delegação Centro do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) – que não esteve disponível para falar com O INTERIOR por estar de férias – declarou à agência Lusa que o incêndio destruiu uma área com «forte importância ambiental e paisagística». Rui Melo acrescentou que as chamas avançaram numa área de florestal plantada há cerca de 80 anos e cuja «regeneração poderá demorar vários anos a ser conseguida». O responsável lamentou ainda que o «forte investimento feito na rede viária e na defesa da floresta contra incêndios naquela área não tenha impedido a progressão das chamas». Rui Melo disse ser «prematuro» adiantar uma extensão da área ardida, mas referiu que é «efetivamente muito grande».

«Naturalmente que estamos muito preocupados, designadamente com a área do Vale do Mondeguinho, porque estamos a falar de uma zona que tem forte importância ambiental, paisagística, florística, faunística e também turística», sublinhou o diretor da delegação Centro do ICNF. Aquele que já é considerado o maior incêndio na zona protegida do PNSE nos últimos anos começou no lugar da Senhora do Monte, na freguesia de Aldeias (Gouveia), e foi atiçado pelo vento para as Penhas Douradas, já no concelho de Manteigas, onde foi dominado a meio da tarde do dia 12 com a ajuda da chuva, mais de 48 horas depois de ter deflagrado. No terreno chegaram a estar 482 operacionais, apoiados por 159 viaturas e oito meios aéreos. Entre eles estiveram os grupos de reforço para combate a incêndios florestais Centro/Sul, Faro, Aveiro e Coimbra, o grupo de reforço ampliado de Leira e Lisboa e equipas de reconhecimento e avaliação da situação.

Segundo o diário “Público”, a Serra da Estrela é o parque natural com maior área ardida acumulada na última década e meia, com 47 mil hectares destruídos entre 2001 e 2014, de acordo com dados oficiais do ICNF.

«O investimento na defesa da floresta contra incêndios não foi suficiente para impedir o alastramento das chamas», diz diretor da delegação Centro do ICNF

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