Já é oficial. A construção da barragem da Serra da Estrela arrancou anteontem simbolicamente com a adjudicação da primeira fase do projeto de abastecimento de água em alta da Covilhã. Na cerimónia, o autarca Vítor Pereira anunciou que tenciona abrir em fevereiro o concurso público internacional para um empreendimento esperado há décadas naquele município.
A obra, que já tem o visto do Tribunal de Contas, representa um investimento global de 11,5 milhões de euros, sendo «o maior investimento realizado na região nos últimos anos», afirmou o autarca. O valor é comparticipado pela União Europeia em mais de 5,9 milhões de euros e pela empresa municipal ICOVI, em mais de 4,7 milhões. O município refere que a primeira fase do empreendimento consiste na construção de 30 quilómetros de condutas adutoras, a remodelação de quatro quilómetros de condutas existentes e a construção de seis reservatórios com capacidade total para 12 mil metros cúbicos de água, ou seja, «12 milhões de litros para consumo». Estes trabalhos iniciais foram adjudicados à Somague. A barragem da Serra da Estrela é uma obra há muito reivindicada e chegou já a ter contrato-programa assinado com o Governo.
O projeto, que no total deveria implicar um investimento de 28,2 milhões de euros, não chegou a concretizar-se devido a inúmeros avanços e recuos de natureza jurídica e ambiental que levaram mesmo à anulação da Declaração de Impacte Ambiental e consequente reinício do processo. Em dezembro, Vítor Pereira anunciou que o atual executivo estava a trabalhar no projeto com base numa nova localização para a albufeira, de modo a que esta fique numa zona mais a jusante da anteriormente delineada. Além disso, segundo referiu, a nova opção também é compatível com o investimento já realizado, bem como a concretização do projeto que já estava delineado para a primeira fase e cuja obra será agora lançada. «A nova localização na zona das Penhas da Saúde permitiu ultrapassar todos os obstáculos que existiam para a construção da barragem», admitiu o autarca.
Presente na cerimónia, Luís Alçada Baptista, proprietário de terrenos afetados pela construção e principal contestatário do projeto anterior devido à localização proposta, está satisfeito com a mudança e recorda que o local onde vai surgir a albufeira é «a solução inicialmente prevista». Completado este passo, Vítor Pereira espera agora que o Governo apoie a nova barragem, orçada em cerca de 16 milhões de euros. «Temos tido toda a recetividade do poder central para levar a cabo este projeto, falta agora que se passe das intenções aos atos e, dentro em breve, poderemos apresentar o projeto final da albufeira», afirmou o edil covilhanense, adiantando que o município tem vindo a trabalhar na alteração do local da albufeira. «Se alguém duvida da capacidade de realização deste executivo a resposta está aqui, no inicio que é dado a esta obra. O que muitos prometeram sem cumprir em duas décadas, nós conseguimos fazê-lo em pouco mais de um ano. E esta não é uma aposta da Covilhã, mas sim um empreendimento de cariz regional», afirmou o autarca.
Luis Martins


