Região

Lightsource BP reformula projetos para Central Solar Sophia

Escrito por Sofia Pereira

Neste mês de setembro, a multinacional britânica Lightsource BP decidiu abandonar a Central Solar da Beira, que ia ser construída em Castelo Branco e Idanha-a-Nova, e que previa a instalação de mais de 425 mil painéis fotovoltaicos numa área de mais de 500 hectares – para gerar uma potência de 266 megawatts.

De pé continua o projeto da central solar Sophia, nos concelhos do Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova, que foi reformulado depois do chumbo da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), prevendo assim a redução de 34 por cento da energia produzida. O Fundão teria inicialmente uma área com 80,7 hectares de painéis fotovoltaicos e duas Linhas de Alta Tensão, ambas com 17 quilómetros. Com a reformulação, passa a ter apenas uma Linha de Alta Tensão. Em Penamacor, a redução é de 173,1 hectares de painéis solares para 129,6, e apenas uma Linha de Alta Tensão de 5 quilómetros de extensão, ao invés de duas como estava previsto, reduzindo a potência de 381 para 294 MWp. Em Idanha-a-Nova, a área de painéis passou de 136,3 para 123,3 hectares. A potência reduz de 298 para 280 MWp e foram eliminadas as Linhas de Alta Tensão.

A empresa responsável pela Central Solar Sophia, Lightsource BP, alerta que não tem «garantia» de que o projeto possa avançar, mas mantém a confiança de um «parecer de impacto ambiental favorável e as licenças necessárias», garantindo à população que se trata de um «projeto com muita qualidade e com pouco impacto ambiental que promove a eletricidade e traz benefícios compartilhados».

Os responsáveis afirmam ainda que «o projeto foi concebido para respeitar e valorizar essa diversidade: solo agrícola, encostas florestadas, zonas de pastorícia e eucaliptal».

A promotora da Central Solar Sophia está a promover apresentações públicas dos projetos e sessões de esclarecimentos. A primeira realizou-se esta segunda-feira, dia 21, em Penamacor. A segunda decorreu esta terça-feira em Idanha-a-Nova, e a terceira sessão está marcada para esta quarta-feira, no auditório d´A Moagem, na cidade do Fundão, a partir das 18 horas.

 

Quercus apela população e autarcas pela «defesa do território»

A Organização Não Governamental de Ambiente (ONGA) Quercus, focada na Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais e na Defesa do Ambiente, está a questionar as «boas intenções» da Lightsource BP, promotora da Central Solar Sophia.

A Quercus recorda que a «consulta pública da mega-central Sophia teve 12.693 participações com apenas 123 favoráveis ao projeto», e vai mais além ao dizer que «o parecer negativo se fundamenta na fraca compatibilidade do projeto com os princípios da sustentabilidade ambiental, do ordenamento do território e da justiça territorial». Para a Quercus, se o projeto agora apresentado pela empresa promotora «é economicamente viável é porque a sustentabilidade ambiental não está suficientemente assegurada».

E mesmo depois das reformulações dos projetos pela  Lightsource BP, «a nível da fauna, a redução das áreas de alimentação, reprodução e refúgio continua grave levando a uma diminuição acentuada da biodiversidade local e desmantelamento dos ecossistemas naturais existentes», constata a ONGA.

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