Opinião de Joaquim Brigas: Preparar o futuro da UPG

Escrito por Joaquim Brigas

A passagem do Instituto Politécnico da Guarda a Universidade Politécnica reconheceu um percurso de décadas. Foi um passo importante, mas o seu verdadeiro valor será medido pelo que formos capazes de fazer a partir dele.
O ensino superior está a mudar depressa. Mudam os percursos de aprendizagem, as profissões e a forma como se produz e partilha conhecimento. A formação ao longo da vida tornou-se indispensável, a investigação está mais próxima das empresas e das comunidades e a internacionalização faz hoje parte do quotidiano das instituições. À UPG cabe acompanhar esta transformação e saber antecipá-la.
Temos uma base sólida. Das cinco unidades de investigação avaliadas, três obtiveram a classificação de Muito Bom e duas a de Bom. A UPG participa em três programas de doutoramento, em áreas distintas: ciências biomédicas e biotecnológicas, ciências do desporto e media, património, sociedade e espaços de fronteira. Lidera e integra projetos nacionais e europeus, desenvolvendo investigação aplicada com utilidade para empresas, instituições e comunidades.
Este trabalho chega à região. As formações superiores de curta duração ministradas em vários concelhos levam novas qualificações a quem dificilmente se deslocaria até à Guarda. A incubadora descentralizada apoia ideias e empresas em diferentes municípios. Esta presença aproxima a Universidade das pessoas, dissemina conhecimento e permite responder melhor às necessidades locais.
É deste ponto que queremos avançar: consolidar a capacidade científica, ampliar a formação avançada, atrair estudantes e investigadores e aprofundar as redes internacionais. Importa também tornar mais rápida e útil a circulação do conhecimento entre a Universidade e o tecido económico e social.
A ligação à região não limita a UPG. Dá-lhe identidade e um ponto de partida para se afirmar no país, no espaço ibérico e na Europa. A natureza politécnica reforça essa vocação: aproxima-nos das profissões, liga a teoria à prática e orienta o conhecimento para a resolução de problemas concretos.
O caminho exige escolhas e prioridades. Estas devem resultar de uma reflexão séria, da participação da comunidade académica e do diálogo com os nossos parceiros. Uma Universidade prepara-se para o futuro com trabalho continuado, decisões coerentes e capacidade para as concretizar.
O percurso realizado permite-nos olhar em frente com confiança. É o resultado do trabalho de uma comunidade que conhece a instituição e sabe quanto foi necessário fazer para chegar até aqui.
A nossa ambição é dar mais escala, consistência e projeção a este percurso. Honrar o que já construímos é prosseguir com maior exigência e preparar, desde agora, a Universidade de que os estudantes, a região e o país irão precisar.

* Reitor da Universidade Politécnica da Guarda

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Joaquim Brigas

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