O Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC) assinalou três décadas de preservação da arte rupestre, numa cerimónia realizada no Museu do Côa e presidida pelo Presidente da República.
António José Seguro assinalou que o Parque Arqueológico do Côa é um trabalho em construção e que olhar para aquele vale é um «exercício de contemplação da humanidade».
O Chefe de Estado frisou que «as causas em que acreditamos valem a pena. É evidente que foi preciso mais do que acreditar, porém, se não acreditássemos que isto era possível, então nada mais seria possível». António José Seguro realçou que «olhar para este vale não é um pormenor, é um exercício de contemplação da humanidade, como o é toda a cultura e todo o nosso trabalho com o património, seja imaterial ou edificado» e que falar do Parque Arqueológico parque «é referir um trabalho em construção permanente e no papel da cultura como cimento das comunidades e dos territórios». Para o Presidente da República «não basta falarmos dos 30 anos de vida do parque, nem dos 20 mil anos que contemplamos e nos contemplam, se não tivermos uma visão integrada do território e da coesão territorial», sublinhou.
A criação do PAVC, da fundação e do museu «é a prova de que é possível, fora dos circuitos dominantes, manter instituições importantes e memoráveis. Este investimento tem sentido e terá resultados».
Segundo o Presidente da República, o PAVC «faz parte de um desígnio nacional de combate ao isolamento e ao envelhecimento do território e das populações. Faz parte de uma missão de que estamos investidos: a de respeitar um monumento milenar e de o legar às gerações futuras», realçando ainda que é necessário pensar também «na ligação entre as duas classificações de Património Mundial que ligam o PAVC ao Douro Vinhateiro».
Já o presidente da Fundação Côa Parque, João Paulo Sousa, defendeu que aquele território «soube transformar risco em património, quando em 1994, no contexto da discussão entre arte e barragem, foram identificadas cerca de 80 rochas com gravuras, em 14 sítios, sendo que no ano seguinte o inventário quase duplicou e continuou a crescer nos anos seguintes», com mais de 1.600 rochas, espalhadas por 104 sítios arqueológicos.
A celebração contou ainda com a presença da Ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, do Reitor da Universidade Politécnica da Guarda, Joaquim Brigas, do presidente da Câmara de Foz Côa, Pedro Duarte, do diretor do Agrupamento de Escolas de Trancoso, Armando Neves, entre outos.




