A Guarda vai candidatar-se a Capital Portuguesa da Cultura em 2028, para fazer da cidade um «espaço de criação, participação, identidade e desenvolvimento», anunciou a Câmara Municipal na segunda-feira.
Sérgio Costa, presidente da autarquia, garante que «vamos olhar para esta candidatura como uma ferramenta para concretizar a nossa visão do que entendemos por política cultural da Guarda nos próximos anos», adiantando tratar-se de «uma oportunidade para agregar toda a produção cultural e artística». Com o projeto, o município pretende criar condições para a produção e criação artísticas, envolvendo instituições, associações, criadores, agentes culturais e económicos, comunidades locais e parceiros nacionais e internacionais. A candidatura «não se esgota» na capital de distrito e quer resultar de «um esforço coletivo de articulação territorial e colaboração com os municípios da região». Nesse sentido, um dos eixos estruturantes da Guarda 2028 é a «condição raiana» da cidade e a sua «ligação umbilical» às comunidades e municípios da vizinha Espanha.
A O INTERIOR, Sérgio Costa acrescentou que a candidatura está a ser preparada para que «seja claramente vencedora» porque será «muito importante para a Guarda e para a região que possamos vir a ser Capital Portuguesa da Cultura, porque os nossos costumes, as nossas tradições, as nossas raízes culturais mais profundas, que evidenciamos no nosso dia-a-dia, devem ser conhecidas pelo todo o nacional». Nessa tarefa, o presidente do município espera contar com o envolvimento dos 40 mil guardenses, mas também «das cerca de 200 mil pessoas de todo o nosso distrito e, se formos a Espanha, já estamos a falar noutras tantas ou mais ainda».
Segundo Sérgio Costa, o desafio é grande, pois, além do ano de 2028, o que está em causa «é uma estratégia cultural para o futuro, um objetivo que perdure muitos e bons anos, porque a Guarda tem essa capacidade para se poder afirmar». Confronto com o fracasso da candidatura a Capital Europeia da Cultura de 2027, o autarca afirmou que «vamos aprendendo com os erros do passado para evitar que se repitam», assegurando que não se vai repetir o «desvario financeiro» desse projeto. «Não vamos gastar um milhão de euros, iremos investir poucas dezenas de milhares de euros, de forma bem sustentável e com os pés assentos no chão», sublinhou. Na sua opinião, «colocar dinheiro numa candidatura não quer dizer que ela seja a melhor ou a pior. Tivemos esse resultado em 2021, o que importa agora é envolver todas as coletividades, associações e autarquias da região, nesta relação Portugal/Espanha, com um projeto que seja envolvente, onde todos se possam rever».
O autarca acrescentou ainda que, com esta candidatura, a Guarda também pretende afirmar «a vitalidade dos territórios do interior» porque, apesar de ser um concelho de baixa densidade demográfica, «é simultaneamente um território de elevado potencial cultural e criativo». A Guarda já tinha concorrido a Capital Europeia da Cultura em 2027, mas foi excluída ainda na fase de pré-seleção, em 2022, das quatro cidades portuguesas candidatas. Évora acabou por ser escolhida para Capital Europeia da Cultura em 2027, estatuto que vai dividir com Liepaja, na Letónia.
Guarda candidata-se a Capital Portuguesa da Cultura em 2028
Um dos eixos estruturantes do projeto é a «condição raiana» da cidade e a sua «ligação umbilical» às comunidades da vizinha Espanha



