Sociedade

Trabalhadores da região ganham menos 300 euros que a média nacional

Escrito por Jornal O Interior

Os ganhos médios dos trabalhadores da região rondam os 800 euros mensais. Este valor é pelo menos 300 euros inferior à média nacional, que ronda os 1.100 euros. Os dados constam do estudo apresentado esta semana por António Ramalho, CEO do Novo Banco.

Os trabalhadores dos municípios do distrito da Guarda atingem um ganho médio de 800 euros mensais (valor que inclui subsídios, horas extra e prémios). Este valor significa que, na região, o ganho médio mensal é inferior em pelo menos 300 euros à média do país (que ronda os 1.100 euros, também incluindo os suplementos referidos). No distrito, a cidade da Guarda é onde este valor é mais alto, sendo a exceção à regra: 1.000 euros mensais é o valor médio ganho por um trabalhador na cidade mais alta.
Em Castelo Branco a situação é semelhante. Nos restantes concelhos deste distrito os vencimentos mensais rondam em média os 800 euros. Covilhã e Castelo Branco apresentam um valor superior, de cerca de 900 euros mensais, e em Vila Velha de Rodão os trabalhadores chega mesmo aos 1.100 euros de ganho médio mensal.
As conclusões foram explicitadas pelo CEO do Novo Banco, António Ramalho, que apresentou aos jornalistas um estudo económico da região baseado em dados do Instituto Nacional de Estatística e Research Económico. O responsável esteve presente numa sessão realizada na terça-feira numa unidade hoteleira do Fundão, na véspera de uma visita às indústrias agroalimentares locais. De acordo com António Ramalho, «se não houver mobilidade a favor do interior vamos continuar a perder pessoas» e é essa perda demográfica que prejudica a economia regional, alerta o responsável. O CEO sublinha que a «perda significativa de habitantes» vai continuar a resultar numa «redução da competitividade territorial» da Beira Interior.
Intitulado “A Região da Beira Interior no Contexto Nacional”, o estudo mostra dados que confirmam o panorama desfavorável de desertificação que se se vive no interior. Sem grandes surpresas, a população da Beira Interior reduziu 8,6 por cento nos últimos sete anos. Esta quebra acontece a um ritmo superior à média nacional, cujos valores são de 2,6 por cento no mesmo período, de acordo com estudo referido. Entre 2011 e 2018 a população em idade ativa baixou perto de 10 por cento, o dobro do ritmo de perda a nível nacional. Já a população acima dos 65 anos representa perto de 30 por cento do total, o que denota o envelhecimento geral da região. Este facto tem repercussões na riqueza produzida nesta zona. Assim, o Produto Interno Bruto (PIB) per Capita da Beira Interior é cerca de 80 por cento da média nacional, o que se traduz num crescimento inferior à média do país. A Beira Interior é mesmo a região com o menor valor do PIB de Portugal.
Apesar desta realidade adversa, as empresas – que apresentam um crescimento inferior à média nacional – aumentaram o seu volume de negócios numa média anual de 4,7 por cento entre 2011 e 2017, seguindo a linha da economia portuguesa. Entre os fatores apontados como cruciais para o desenvolvimento da região, destaque para a tecnologia, universidade e logística. Nesta última, de acordo com António Ramalho, o aproveitamento da proximidade com Espanha seria o maior trunfo. Criar pontos de convergência logística (alicerçados em transportes), seria a melhor aposta para contrariar o panorama de declínio económico e populacional que enfrentam as regiões do interior.

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