Sociedade

«Música contemporânea é um nicho e não deveria ser»

Escrito por Sofia Craveiro

O Conservatório de Música São José da Guarda foi palco de masterclasses de “Linguagens e técnicas da música contemporânea”, na passada terça-feira. Este género musical vanguardista associou-se às artes plásticas durante eventos temáticos inseridos no SIAC.

Os músicos da Orquestra Sem Fronteiras, dirigida pelo maestro Martim Sousa Tavares, ensinaram na terça-feira elementos relativos à interpretação de música contemporânea aos alunos do Conservatório da Guarda e a quem estivesse interessado em participar.
Fausto Rodrigues é técnico de manutenção na EDP, mas o gosto pelas atividades culturais levou-o a visitar as masterclasses. «O SIAC é bom porque mexe com a cultura da cidade», considera o guardense, que esteve presente nas sessões, pois «a vertente de música contemporânea interessa-me, apesar de não possuir conhecimento técnico para a executar». Piano, percussão, violino, viola d’arco, violoncelo, flauta e clarinete foram os instrumentos incluídos no programa das masterclasses, que decorreram em simultâneo. Os alunos participantes tiveram a oportunidade de contactar com técnicas musicais que habitualmente não são incluídas nos planos curriculares. Margarida Merrins, de 22 anos, é aluna de piano do Conservatório. A jovem estudante afirma que «este tipo de música não se houve tanto, e para os pianistas é muito bom poder aprender e abranger o máximo de estilos possível».
A jovem pianista guardense esteve presente na masterclass do seu instrumento, a cargo de Marisa Silva, música convidada pela Orquestra Sem Fronteiras. «Não faço parte da orquestra, pois esta não usa o piano, mas participo em atividades sempre que possível», refere. A pianista acrescenta que este tipo de programas, com música contemporânea, «não são os mais convencionais, mesmo em grandes centros como Lisboa e Porto», razão pela qual considera que este tipo de música «é muito bem-vinda, assim que a damos a conhecer», aos alunos e público. Presente na sessão, Martim Sousa Tavares afirmou que a música contemporânea é «um nicho e não deveria ser», revelando que quando era aluno adoraria ter tido «uma experiência deste género». Segundo o maestro, «pareceu-nos interessante fazer um concerto com música contemporânea, que estivesse intimamente ligada à pintura» no SIAC e já que os músicos vieram à Guarda para tocar este programa «quisemos partilhar este conhecimento com os alunos, mostrando-lhes um reportório possivelmente mais original».
O programa desta sessão dedicada à música contemporânea incluiu ainda a projeção do filme de 1951 “Jackson Pollock 51”, de Hans Namuth, seguida da palestra “Escutar o Silêncio”, por Martim Sousa Tavares, no Cine-Teatro da Guarda. Ao final da tarde teve lugar um concerto da Orquestra Sem Fronteiras que interpretou obras de John Cage e Morton Feldman no auditório do Conservatório. Esta atividade precedeu ainda a exibição do filme espanhol “El espíritu de la Colmena”, de Víctor Erice, no pequeno auditório do TMG.

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Sofia Craveiro

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