Sociedade

Coficab pode perder 8 milhões de euros com o “Brexit”

Escrito por Luís Martins

A saída do Reino Unido da União Europeia continua incerta, mas as empresas já fizeram as contas ao impacto desta cisão. A Coficab estima perder clientes e vendas, enquanto a Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior receia o imposição de novas taxas e condicionantes para entrar no mercado britânico.

Enquanto a confusão está instalada sobre a saída ou não do Reino Unido da União Europeia (UE) a menos de quinze dias da data limite estabelecida, por cá as empresas e os setores exportadores já fizeram contas aos custos do “Brexit” nos seus negócios.
Na Coficab, que exportou cerca de 200 milhões de euros em 2018, admite-se que a saída do Reino Unido da UE pode afetar «de forma direta a empresa em cerca de 8 milhões de euros na faturação, cerca de 3,7 por cento do total, que é o valor que exportamos atualmente para aquele mercado», adianta João Cardoso a O INTERIOR. O diretor-geral da multinacional de fios e cablagens acrescenta que a Coficab poderá também perder clientes caso sejam aplicadas taxas de importação aos produtos produzidos em Vale de Estrela. «O “re-sourcing” para outro fornecedor mais conveniente ao cliente, seja por uma questão de preço ou qualquer outra, como o pagamento de mais taxas, é outro risco que corremos com o “Brexit”», acrescenta o responsável. Além destes cenários, o administrador aponta mais um problema, que afetará também a generalidade da economia e que resultará do «abrandamento geral do consumo devido à falta de confiança dos consumidores causada por toda esta instabilidade política».
A Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior (CVRBI) também está a acompanhar «com expetativa» o desenrolar dos acontecimentos, embora o Reino Unido não seja atualmente um dos mercados mais importantes. «Mas há questões, como as práticas enológicas e métodos de análise aplicáveis aos produtos vitivinícolas, que são baseados nas resoluções da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV). Como o Reino Unido não integra aquela organização, tudo aponta para que, após o “Brexit”, as resoluções da OIV e a regulamentação comunitária não sejam aplicáveis ao Reino Unido e poderão dificultar a entrada de vinhos no Reino Unido», refere Rodolfo Queirós. Outro impacto irá verificar-se na rotulagem dos vinhos, que até agora tinha regras comuns na UE e deixará de ter no pós “Brexit”.
«Não sabemos como será no futuro, tal como com a proteção das Denominações de Origem e Indicações Geográficas», afirma o presidente da CVRBI, que acrescenta que o setor e os seus representantes já fizeram chegar estas preocupações ao Instituto da Vinha e do Vinho. «Há ainda a questão fiscal, relacionada com a entrada de produtos vínicos no Reino Unido», acrescenta Rodolfo Queirós, que, no entanto, vê na eventual saída do Reino Unido da UE uma oportunidade para fazer ações promocionais naquele mercado, «através de um projeto existente atualmente na União Europeia para promoção dos vinhos nos mercados terceiros. Atualmente, as exportações de vinho da Beira Interior têm como principais destinos o Brasil, Estados Unidos, China, Angola, Polónia e França. «Mas uma das preocupações da CVRBI é a diversificação de mercados, tendo o Reino Unido um potencial importante», considera o responsável.
Um estudo recente da Confederação Empresaria de Portugal (CIP) concluía que é elevado o risco para as exportações das empresas sediadas na Comunidade das Beiras e Serra da Estrela, que operam sobretudo nos setores do têxtil e vestuário, componentes e cablagens para automóveis, agroalimentar e turismo. No mesmo documento, a CIP recordava que o Reino Unido é o quarto maior mercado das vendas portuguesas ao estrangeiro

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