Região

Contestação às portagens vai-se fazer ouvir em Vilar Formoso a 15 de maio

Escrito por Luís Martins

Plataforma pela Reposição das SCUT na A23 e A25 também tenciona «marcar presença» na inauguração da Feira Ibérica de Turismo e na próxima Cimeira Ibérica, que vai decorrer na Guarda em junho

A contestação contra as portagens na A23 e A25 vai chegar à fronteira de Vilar Formoso no dia 15 de maio com a realização de uma tribuna pública que reunirá a Plataforma pela Reposição das SCUT e representantes das principais organizações sindicais e empresariais espanholas.
A ação, que terá lugar pelas 11 horas, foi anunciada esta segunda-feira durante uma conferência de imprensa realizada na sede da Associação Empresarial da Região da Guarda (NERGA). «A próxima iniciativa deste movimento vai acontecer numa altura em que os espanhóis também já reclamam sobre estes custos», disse José Gameiro, presidente da direção da Associação Empresarial da Beira Baixa, enquanto Luís Garra, coordenador da União de Sindicatos de Castelo Branco, justificou que é uma ação necessária porque os resultados da recente redução de portagens para as empresas de transportes são «insuficientes». O dirigente sindical acrescentou que ela acontece na pré-campanha para as europeias porque «é preciso colocar a abolição das portagens na A23 e A25 na ordem do dia».
Por sua vez, Pedro Tavares, presidente do NERGA, apelou à mobilização «dos cidadãos, dos políticos e dos empresários» para participarem na tribuna de Vilar Formoso, mas antes deixou o desafio para que «todos marquem presença na Feira Ibérica de Turismo, na quinta-feira, para sensibilizarem o ministro da Economia para a resolução deste problema económico e social que está a afetar a região». O empresário admitiu que os descontos introduzidos entretanto «fazem alguma diferença, mas são insuficientes». Segundo Luís Garra, no primeiro trimestre deste ano, 470 empresas aderiram aos descontos em vigor para veículos pesados e «dessas foram concedidas à volta de 350», o que, pelas suas contas, representarão «à volta de três mil veículos». «Isto significa que é irrisório, porque estamos a falar de todos os territórios de baixa densidade», alertou o dirigente sindical.
Já Luís Veiga, representante dos empresários, defendeu a abolição das portagens na A23 e A25 porque «estamos a pagar para circular dentro da região Centro. É isso que leva as pessoas daqui para fora e bloqueia a economia regional». E sugeriu «aos governantes e políticos» uma viagem entre a Vilar Formoso e a Guarda e a fronteira e Aveiro: «Só assim vão constatar que esta medida é uma injustiça porque não há vias alternativas», criticou o empresário, que considera haver um «fracasso total» na relação transfronteiriça das Beiras e Serra da Estrela com a comunidade de Castela e Leão. «Há apenas políticas e ações sem qualquer interesse para o desenvolvimento desta região», disse Luís Veiga, segundo o qual «os espanhóis não percebem por que têm que pagar para viajar para Portugal e não são informados da existência de vias alternativas, porque não existem».
De acordo com os promotores, a tribuna pública de Vilar Formoso contará com intervenções das várias organizações que integram o Comité Sindical Inter-regional de Castilha e Leão, Beiras e Nordeste de Portugal, que é composto pela CGTP e UGT de Portugal e pelas Comissiones Obreras e UGT espanhola. Deverão também participar representantes dos empresários. Além desta ação, a Plataforma Pela Reposição das Scut na A23 e A25 planeia também «marcar presença» na próxima Cimeira Ibérica a realizar em junho na Guarda.
O movimento integra sete entidades dos distritos de Castelo Branco e da Guarda, nomeadamente a Associação Empresarial da Beira Baixa, a União de Sindicatos de Castelo Branco, a Comissão de Utentes Contra as Portagens na A23, o Movimento de Empresários pela Subsistência pelo Interior, a Associação Empresarial da Região da Guarda, a Comissão de Utentes da A25 e a União de Sindicatos da Guarda.

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