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Comerciantes de Celorico da Beira esperam há dois anos por apoios prometidos pelo IAPMEI

Em Celorico da Beira, os comerciantes esperam e desesperam pelos apoios do programa “Comércio Investe”, que tinha como objetivo incentivar investimentos em determinadas áreas do negócio, assegurando um retorno até 83 por cento do capital investido.

Foi em 2016 que o programa foi apresentado aos empresários de Celorico da Beira, numa sessão organizada pela autarquia, onde esteve um representante da Agência para a Competitividade e Inovação – IAPMEI e da Associação Comercial da Guarda (ACG), parceiros no projeto. «Fomos bastante persuadidos para aderir», admite Jonatas Rodrigues, proprietário de um talho no concelho. Nessa sessão foi-lhes explicado que grande parte do investimento realizado «seria comparticipado», por exemplo «se o valor investido fosse 10 mil euros iríamos pagar apenas cerca de 1.750 euros». As condições pareceram «vantajosas» e Joantas Rodrigues fez um investimento de 7.800 euros «na esperança de receber 80 por cento desse valor». Mas a espera já vai sendo longa, «há quase dois anos», lamenta o empresário que adianta não ser o único na mesma situação. «Tenho conhecimento de mais dez empresários e nalguns casos o investimento chegou aos 10 mil euros», adianta o comerciante e deputado municipal pelo PSD, que denunciou a situação na última sessão da Assembleia Municipal.
Jonatas Rodrigues denuncia ainda que «este contrato não previa apenas um investimento físico do comércio local». O acordo incluía ainda um cartão de fidelização de clientes, uma aposta no marketing, criação de uma página na internet, colocação de outdoors e gestão de conteúdos online, através de uma empresa especializada. «Mas o que nos foi dito pela ACG é que tudo isso já foi abandono por parte do IAPMEI por falta de verbas», acrescenta Jonatas Rodrigues que espera que, «pelo menos, sejam minimizados os gastos que já tivemos». Todos os investimentos estão devidamente comprovados, uma das regras do regulamento, e existe até um contrato assinado com todos os comerciantes que aderiram ao programa. «Temos tudo documentado», garante o comerciante, que revela algum «descontentamento» e «desconfiança» perante a situação «sobretudo porque não obtemos respostas».
Contactado por O INTERIOR, o presidente da Câmara confirma que «esta é uma questão que herdámos do anterior executivo», liderado por José Monteiro. Ao município cabia «a comparticipação em duas tranches», cada uma de cerca de 20 mil euros. Sem conseguir precisar a data, Carlos Ascensão garante que «foi feita a transferência da primeira tranche para as contas da ACG», sendo que a segunda «ficou suspensa por o acordo não estar a ser cumprido». A aguardar ainda uma reunião com direção da ACG e sem se alongar muito, o edil adianta que «há um processo mal conduzido» e com «algumas situações que não foram acauteladas». Perante a ausência de «uma resposta em função do que foi prometido», o autarca celoricense diz estar «solidário» com os comerciantes e que «está disponível para esclarecer e apurar responsabilidades».
Também Jonatas Rodrigues acrescenta que será enviada uma carta à ACG e ao IAPMEI «subscrita por todos os empresários». Por sua vez, o presidente da Associação Comercial da Guarda descarta qualquer responsabilidade no caso esclarecendo que «apenas mediámos o projeto, o responsável é o IAPMEI». Segundo Miguel Alves, já terá sido feito o pedido para receber o apoio devido, «mas estamos ainda a aguardar». O INTERIOR contactou o IAPMEI sobre este assunto, mas o organismo não respondeu até ao fecho desta edição. Entretanto, ainda não foi marcada a Assembleia-Geral da ACG para aprovação das contas de 2016 e 17, cujo agendamento «está dependente» do presidente daquele órgão, disse Miguel Alves.

Sobre o autor

Ana Eugénia Inácio

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