Política

PS ganhou no distrito da Guarda com menos 85 votos que em 2015

Escrito por Jornal O Interior

A esquerda foi a grande vencedora das legislativas no distrito da Guarda, com o PS ganhar em dez dos catorze concelhos e a repetir a eleição de dois deputados e o Bloco de Esquerda a consolidar-se como a terceira força política. Já o PSD sofreu um colapso ao vencer em apenas quatro municípios, elegendo um deputado.

O PS voltou a ganhar as legislativas no distrito da Guarda, o que não acontecia desde 2009. O resultado de domingo foi claro, mas os socialistas só registaram menos 85 votos relativamente à sua votação de 2015 (ver quadros nas páginas seguintes). Mesmo assim, os 28.783 sufrágios obtidos (37,55 por cento) foram suficientes para Ana Mendes Godinho, a cabeça de lista, classificar a vitória de «esmagadora».
Nestas eleições o distrito da Guarda viu reduzida a sua representação na Assembleia da República de quatro para três deputados e a principal vítima foi o PSD, que perdeu um deputado. O PS conservou os dois lugares no Parlamento, agora assumidos por Ana Mendes Godinho e Santinho Pacheco, enquanto os sociais-democratas só conseguiram a eleição de Carlos Peixoto com os 26.343 votos conseguidos (34,37 por cento). Em 2015, PSD e CDS coligados tinham alcançado 38.964 votos (45,59 por cento). O CDS, agora sozinho, registou 3.823 votos (4,99 por cento) e cedeu o lugar de terceira força política ao Bloco de Esquerda (BE), apesar da votação ter descido, de 6.431 votos (7,42 por cento) em 2015 para 5.990 (7,81 por cento). Pior ficou a CDU, que continuou a recuar no distrito da Guarda, onde a coligação formada pelo PCP e Os Verdes passou de 3.379 votos (3,95 por cento) em 2015 para 3.295 (2,99 por cento) quatro anos depois.
A novidade destas legislativas é o crescimento do PAN, que conseguiu 1.223 votos (1,60 por cento) contra os 725 (0,85 por cento) de 2015, enquanto o CHEGA obteve 1.135 votos (1,48 por cento). Os restantes movimentos e partidos conseguiram menos de um por cento dos sufrágios, com destaque para a Iniciativa Liberal, com 0,60 por cento, e o RIR, também com 0,60 por cento. No distrito da Guarda a abstenção foi de 49,42 por cento, tendo-se registado 2,64 por cento de votos em branco e 2,68 por cento de votos nulos. Em termos concelhios, o PS venceu em dez dos catorze municípios do distrito e obteve o seu melhor resultado em Manteigas (44,62 por cento), enquanto na Guarda socialistas e sociais-democratas ficaram separados por 864 votos. Por sua vez, o PSD ganhou nos restantes quatro (Aguiar da Beira, Celorico da Beira, Mêda e Pinhel), sendo que nenhum deles é o concelho de origem dos quatro primeiros candidatos. A melhor votação dos sociais-democratas aconteceu em Aguiar da Beira (42,34 por cento).
O BE consolidou-se no distrito e foi o terceiro partido mais votado em dez concelhos, com destaque para a Guarda (10,77 por cento). As exceções verificaram-se em Aguiar da Beira, Fornos de Algodres, Mêda e Trancoso, onde o CDS-PP conseguiu limitar os danos e segurou o terceiro lugar. O melhor resultado dos centristas aconteceu no bastião da Mêda, onde o partido de Henrique Monteiro obteve 11,39 por cento. Quanto à CDU desceu em todos os catorze concelhos e teve o seu melhor resultado em Celorico da Beira, com 4,92 por cento dos votos.

Sabugal lidera na abstenção

A abstenção também atingiu recordes no distrito da Guarda, onde foi muito superior à registada em termos nacionais (45,5 por cento) na grande maioria dos concelhos.
Neste indicador o destaque vai para o Sabugal, com 57,92 por cento de abstenção, tendo votado 5.533 eleitores dos 13.149 inscritos. Seguem-se Vila Nova de Foz Côa (55,53 por cento), Mêda (53,58), Almeida (53,22), Celorico da Beira (53,12) e Aguiar da Beira (51,36). A abstenção ficou ainda ligeiramente acima da barreira dos 50 por cento em Gouveia (50,39 por cento) e Manteigas (50,39). Abaixo deste limiar estiveram Figueira de Castelo Rodrigo (49,28), Pinhel, Seia e Trancoso, todos com taxas de abstenção de 49,42 por cento. Os concelhos com menor abstenção foram Fornos de Algodres (43,05 por cento) e a Guarda (43,67).

Quem são os deputados da Guarda?

A socialista Ana Mendes Godinho tem 47 anos é inspetora da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) e foi eleita para o primeiro mandato.
A antiga secretária de Estado do Turismo tem um percurso ligado ao setor, tendo desempenhado várias funções na área, entre as quais a de vice-presidente do Turismo de Portugal, administradora da Turismo Capital e da Turismo Fundos. Foi também adjunta e chefe do gabinete do secretário de Estado do Turismo no primeiro Governo de José Sócrates.
António Santinho Pacheco é o segundo socialista eleito pelo círculo da Guarda. Tem 68 anos e foi professor, iniciando agora o segundo mandato na Assembleia da República. Ex-presidente da Câmara de Gouveia e antigo Governador Civil da Guarda, o deputado reeleito participou nos últimos anos em várias comissões parlamentares, entre as quais de inquérito ao roubo de Tancos e a de acompanhamento dos incêndios florestais.
Carlos Peixoto será o único eleito do PSD pela Guarda. Natural de Gouveia, o advogado de 51 anos cumprirá no parlamento o quarto mandato consecutivo. É consultor da sociedade de advogados Caiado Guerreiro. Durante o último mandato integrou a Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. Quando divulgou a candidatura, manifestou interesse em mudar a Lei Eleitoral.

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