As novas pragas e o novo terrorismo

Escrito por Diogo Cabrita

Tenho algumas fantasias do horror que não devia tornar públicas, nem comentar sugerindo ideias, nem fazer graça, pois podem ser um dia amargos de boca. Penso nisso e nos filmes que ensinam a roubar, nas séries que ininterruptamente falam de matar e destruir e opino pela partilha dos sonhos. Afinal, a minha imaginação é festa como as outras e é pavor como o de muitos e é heroica por vezes. Contar as fantasias pode ser um enfado, como também a sequência imparável de anedotas. Os meus maiores medos falam de smog com monóxido, de água nas torneiras com veneno, de injeção de tóxicos nas culturas, de bombas em estádios repletos. Os novos fanáticos não se importavam de matar todos os toureiros (veja-se a inacreditável alegria e rejubilo nas redes sociais com a morte de Bastinhas), não se coibiam de abater os ricos, não se envergonhavam de matar os católicos ou os muçulmanos. Dependendo da sua convicção e da sua intolerância são capazes de tudo. Houve quem defendesse Pol Pot, houve quem gritasse as virtudes de Estaline, houve quem apoiasse Maduro, ou esse inapresentável da Coreia do Norte. Estes fanatismos vermelhos foram construtores de terrorismo como as Brigadas Vermelhas, as Baader Meinhof, o Sendero Luminoso, a ETA, o IRA, o PRP-BR (ainda vai à TV a sua líder Isabel do Carmo num misto de apagamento e compreensão – veja-se https://www.publico.pt/2015/08/09/portugal/noticia/uma-viagem-ao-verao-quente-1704050) e dezenas de outros assassinos de inocentes desarmados. São milhões de fanáticos que se acham de esquerda, mas na verdade são violentos social-fascistas capazes de destruir, matar e agora ofender nas redes sociais. A dura verdade é que Mário Machado foi à TV e devia ir mais vezes e ser confrontado com suas ideias e circunstâncias. A intolerância nunca defendeu a democracia e a liberdade e nunca pode ser socorrida com a mordaça e a perseguição ou a injúria. A defesa intransigente da democracia faz-se onde se vive bem, onde os direitos dos trabalhadores se respeitam, onde a cultura sobressai, onde não se votaria em idiotas ou tontos porque haveria alternativas e sabedoria para o evitar. A irracionalidade do moita-carrasco e os arquipélagos Gulags e os campos de extermínio comprovam que não é a esquerda ou a direita que causam problemas, são as duas, bem como as religiões todas e os fanatismos todos. Os fanáticos acham sempre que são donos da razão e podem obrigar todos às suas convicções. A fronteira é muito ténue entre a tirania e a democracia. O discurso acusador e de amedrontar é típico de uma certa esquerda que exige mordaças e adora vilipêndio. Na sua doçura de ideias são muitas vezes mais perigosos que alguma direita desbragada e identificável.

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Diogo Cabrita

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