Cara a Cara

«O “Projeto Bosques” é com a comunidade e para que esta seja mais ativa positivamente no meio em que habita»

Escrito por Jornal O Interior

Pedro Januário

P – Por que é que uma associação cultural como a Luzlinar decidiu envolver-se na reflorestação de uma área da Serra do Feital?
R – Como Associação Cultural desenvolvemos os nossos projetos com a comunidade (escolas, associações, população). E por isso somos responsáveis pelo território em que vivemos. Estamos a promover ações que promovem a floresta na Serra do Feital, Vilares e Broca, não apenas numa área e não apenas de reflorestação. O “Projeto Bosques”, com o acompanhamento da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) é acima de tudo um projeto com a comunidade, para que esta reflita e seja mais ativa positivamente no meio em que habita. Por isso defendemos a floresta, que se possa usufruir no presente e dar a usufruir a futuras gerações. O nosso desejo profundo é que esta ação se replica por outras associações noutros locais. Seria interessante que as autarquias e instituições colaborassem entre si na promoção do desenvolvimento sustentável.

P – Qual é o objetivo final desta ação?
R – A floresta tem de permanecer ao longo dos séculos. Estabelecemos protocolos a dez anos com as Uniões de Freguesia da Serra, é de louvá-las pela coragem e determinação que têm dado a este projeto. Esperamos alargar estes compromissos a 50 anos. A desertificação está aí há largas décadas e parece que ninguém se apercebeu… Estamos a dar o nosso contributo para reverter esta situação aqui. Carnicães, Vilares, Broca, Garcia Joanes, Vila Franca das Naves, Póvoa e, claro, Feital, unidos com este objetivo tem sido excecional!

P – A Luzlinar iniciou recentemente uma campanha de “crowfounding” para financiar o projeto? Qual tem sido a adesão e quanto esperam angariar? Qual é o custo deste projeto de reflorestação?
R – O “Projeto Bosques” tem diferentes apoios e terá mais num futuro próximo. Estamos a trabalhar nesse sentido. A campanha é sobretudo a nossa forma de convidar as pessoas a virem-nos visitar e participar nas atividades desenvolvidas. Queremos mais uma vez ser um exemplo para a região e para o país. É preciso partilhar esta alegria.

P – Quantas árvores e de que espécies são precisas para a Serra do Feital?
R – São precisas acima de tudo espécies autóctones, que estão cada vez mais a desaparecer. Recebemos um apoio do projeto “Floresta Comum” para este ano de cerca de 10.000 árvores de 20 espécies diferentes, mas mais do que árvores necessitamos que todos se unam e compreendam o verdadeiro valor desta ação, de conseguir esculpir uma nova paisagem e qualidade de vida para as gerações que nos seguem.

P – Está pensada alguma “contrapartida” para quem participar no “crowfunding” – tipo poder ter uma árvore patrocinada com o nome do benemérito, ou outras iniciativas?
R – As recompensas são várias e divertidas, devem consultar no nosso site. Mas temos desde “T-shirts”, peças artísticas que desenhámos especialmente para este propósito, estadias na Serra e inscrições na Rota dos Abrigos.

P – Que outros projetos, nesta ou noutras áreas, conta desenvolver a Luzlinar em 2019?
R – Somos a única entidade apoiada pelo Ministério da Cultura nas Artes Visuais para os próximos quatro anos na região. O programa operacional “Projeto Pontes” conta com um vasto conjunto de projetos de investigação e criação artística e científica como este. Temos toda a informação no nosso site.

 

Perfil de Pedro Januário:

Um dos responsáveis pelo “Projeto Bosques”, dinamizado pela Associação Luzlinar na Serra do Feital, Vilares e Broca, no concelho de Trancoso.

* O entrevistado declinou responder aos dados de perfil

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