Se outros brincaram nos canteiros hoje há os que brincam e jogam na TV. O écran permite toda uma vida fora do Sol, um mundo aberto no espaço de 12 metros quadrados em lugar nenhum.
Hoje uma televisão leva-nos pelo mundo e a Internet permite até marcar os encontros e casar com eles. Casar com quem depois se senta ao lado, noutro teclado, a visitar outros mundos também. E é vasto este universo? É imenso, e longínquo, com é tremendo o espaço de uma relação ou o cruzamento de personalidades.
As pessoas fogem umas das outras, dos quatro-olhos do encontro e vão falar-se nos écrans com vídeo câmaras e altifalantes. Ali está um modo novo de se ser livre e especial. Ninguém me impede o que penso, ninguém me fecha a torneira e ninguém me olha nos olhos.
Estamos à distância de um botão. Podemos simplesmente dizer tchau e sair. Podemos sugerir as maiores barbaridades ou insinuar pornografias, ou clamar por vampiros.
Há um universo que espanta pela presença de uma inexistência. Este é o território virtual por onde nos vamos diluindo. Ali te apaixonas, te educas, te instruis, te libertas. Aquilo é “o raio que o parte”.
Por: Diogo Cabrita


