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Comerciantes de S. Miguel contestam paragem de autocarro

Localização escolhida pela Câmara da Guarda em janeiro acaba com alguns dos poucos locais de estacionamento na avenida

Alguns comerciantes da Avenida de S. Miguel, na Guarda-Gare, estão descontentes com a mudança de uma paragem de autocarro para aquela artéria. A localização, escolhida em janeiro pela autarquia, e reforçada com marcas no chão há cerca de três semanas, está a revoltar quem se vê privado dos poucos lugares de estacionamento que havia em frente aos seus estabelecimentos e que ainda atraíam alguns clientes, que agora, dizem, tendem a ir às grandes superfícies.

«Ainda no tempo de Maria do Carmo Borges como presidente da Câmara pedimos que fizessem estacionamentos em espinha do outro lado da rua, não fizeram e puseram meia dúzia de lugares deste lado. Agora, tiram aquilo que tinham posto». António Santos é proprietário de um restaurante naquela avenida há 34 anos e, apesar da medida ter pouco tempo, não tem dúvidas: «Com esta situação, só vêm os clientes que já conhecem o restaurante, pois os outros nem se apercebem que existe porque não podem aqui parar», contesta. «Logo em janeiro ligámos para a Câmara e disseram-nos que não se pode agradar a toda a gente», lamenta. Ao lado do restaurante, os proprietários de uma ótica também se sentem prejudicados. Luís Oliveira considera que a solução poderia passar «apenas por um ponto de paragem, para que os autocarros não entrassem pelos estacionamentos adentro».

O comerciante explica que ali não há muitos estacionamentos, pois é uma zona de passagem, «além disso, o autocarro nunca para no lugar, mas no meio da estrada», refere. Quanto à localização, alega que, «embora sejam dois lugares, o facto de estar o chão pintado e a paragem ali, limita-nos muito, porque as pessoas aproveitavam os lugares em frente aos nossos estabelecimentos para efetuarem pequenas paragens». E avança com outra solução: «Podiam deslocar a paragem 20 metros para a frente, onde há mais espaço e não incomodava ninguém», sugere. Clara Elias considera a decisão «muito má para os comerciantes». A dona da loja de eletrodomésticos e produtos elétricos situada mesmo em frente à paragem garante que já tem notado «alguma diferença, porque, com o estacionamento proibido aqui, as pessoas chegam e vão-se embora».

Recordando a anterior localização da paragem – na rua paralela e residencial, considera que essa era a «melhor opção, já que não incomodava ninguém, enquanto aqui os estacionamentos fazem-nos muita falta». O mesmo pensa José Gomes, proprietário de uma loja de materiais de construção: «Sou de Viseu, onde qualquer estabelecimento tem estacionamentos em espinha próximos. Aqui, é ao contrário, tiram-nos todos», critica, dizendo ser «vergonhoso o que a Câmara nos está a fazer. As pessoas, por vezes, deixam os carros em cima dos passeios porque não têm onde estacionar».

Câmara desconhece queixas dos comerciantes

Contactada por O INTERIOR, Elsa Fernandes sublinha não ter recebido «nenhuma informação escrita por parte dos comerciantes da zona nesse sentido, só da Junta de Freguesia». A vereadora lembra que «já foram recebidas pela autarquia várias críticas, elogios e sugestões através de email, do site da Câmara ou por carta», considerando «estranho estes comerciantes não o terem feito, até porque a autarquia sempre se mostrou aberta a sugestões para alterações», diz. De resto, a responsável adianta que a Câmara «faz sempre as coisas tendo em conta o que considera melhor para um coletivo, que foi o caso. Para o Centro de Saúde de S. Miguel não passa nenhum autocarro e aquela é a paragem mais próxima», recorda. Por outro lado, Elsa Fernandes sublinha que este é o espaço necessário «para o autocarro ter uma paragem em segurança». Quanto à localização sugerida uns metros à frente, explica que «há várias artérias que têm uma perspetiva de serem intervencionadas, pelo que essa alteração seria sempre temporária», responde.

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