A contagem final para a liquidação total da PolisGuarda já começou. A sociedade deixa este mês de poder fazer novas adjudicações e lançar obras de forma a ter as contas fechadas em Outubro. As empreitadas actualmente em curso terão uma moratória, mas os projectos por concretizar só já poderão ser realizados se o Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional avançar com o prometido sistema de contratos-programas com as autarquias ou um programa similar no próximo Quadro Comunitário de Apoio (QCA). No caso da Guarda, ficaram pelo caminho a segunda fase do Parque Urbano do Rio Diz e grande parte dos seus equipamentos.
«Temos 70 por cento da obra totalmente executada e somos o primeiro Polis da região Centro a fechar dentro dos novos parâmetros previstos», destaca António Saraiva, director-executivo da PolisGuarda, que garante que desta experiência vai sobrar património para a Guarda e nenhuma dívida à banca ou a fornecedores. «O empréstimo contraído estará liquidado este mês e só temos facturas por pagar de Abril para cá, uma situação que vamos resolver também nas próximas semanas», garante. Pelas suas contas, a sociedade concretizou 25 dos 37 milhões de euros inicialmente previstos, mas revela que em Agosto foi assegurado mais meio milhão, que estava por gastar pelos Polis no Programa Ambiente. «É uma verba que vai permitir intervir em mais duas ruas do centro histórico, a da Paz e António Júlio, que não estavam previstas, para além da conclusão da Francisco Passos com o Largo de S. Vicente», refere o arquitecto. Para trás estão já os contratempos do programa, que Saraiva considera mais «políticos que técnicos», bem como os percalços na Praça Velha. «Há soluções de projecto que estão a revelar-se difíceis de implantar no terreno. De resto, esperamos que a empreitada esteja concluída no final do mês», acredita.
Contudo, a PolisGuarda continua com um problema de expropriações por resolver no Rio Diz. Como o Plano de Pormenor da zona continua por aprovar, as máquinas ainda não podem entrar num terreno de Antero Cabral Marques, mas o processo de expropriação litigiosa entrou segunda-feira no tribunal da Guarda. «Nós estávamos dispostos a pagar um milhão de euros, mas aquele proprietário pede dez vezes mais», adianta, considerando que o processo de expropriações não correu mal na medida em que, dos 30 proprietários referenciados, só houve «dois problemas». O outro diz respeito a um arrendatário, «mas o tribunal já reconheceu que não tem direitos sobre aquela parcela e autorizou os donos legítimos a demolir os anexos agrícolas», acrescenta. O resultado é que a intervenção não pode avançar nestas zonas até à aprovação do Plano de Pormenor ou a uma sentença de expropriação judicial. «Mas o que importa neste momento é saber que a primeira fase do Parque Urbano vai estar pronta até Dezembro e que será uma mais-valia para a cidade», acredita o director-executivo da sociedade.
E para tranquilizar a leitora que enviou a “O Interior” a foto-denúncia publicada na última edição, António Saraiva anuncia que vão ser plantadas cerca de 1.500 árvores no Parque Urbano, 400 das quais, de porte adulto, só na área da primeira fase. Mais cinco mil arbustos e 25 mil herbáceas.E desmente que se gastem 750 mil euros no arrelvamento. «A empresa adjudicatária vai gastar 100 mil euros por tudo, incluindo um ano de manutenção», garante, admitindo que a sociedade cortou as árvores junto à rotunda do Pingo Doce, mas que o património herbóreo da cidade não foi posto em causa. «Não foi para se ver melhor a intervenção, mas por necessidade de espaço para a fluidez do trânsito», defende-se, sublinhando que o Polis tem «como não podia deixar de ser, um cuidado extremo em termos ambientais».
Luis Martins


