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Edição de 11-10-2018
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Secção: Opinião

Mitocôndrias e Quasares
Aleksander Ivanovich Oparin
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Os resultados das experiências e investigações de Louis Pasteur nos finais do século XIX colocaram um ponto final nas cogitações em torno da geração espontânea. A partir de então, abriu-se caminho a novos estudos e experiências, que tiveram resultados surpreendentes, mas até à segunda década do século XX não ocorreram progressos reais. Dois cientistas, Aleksander Ivanovich Oparin e John Burdon Sanderson Haldane, sugeriram por essa altura que a origem da vida na Terra podia ser explicada por meio de uma teoria física-química.

As origens de Aleksander Ivanovich Oparin

Oparin foi um cientista russo que lecionou na Universidade de Moscovo. Especializado em Fisiologia Vegetal, elaborou uma teoria acerca da origem da vida na Terra que conseguiu revolucionar a visão sobre este tema.

Na sua época de universitário estudou, segundo ensinavam os biólogos do seu tempo, que os primeiros seres visos na Terra tinham sido autotróficos (capazes de fabricar o seu próprio alimento, como ocorria com as plantas) e que se tinham formado como resultado da geração espontânea a partir de “grumos de carvão”.

Nessa altura já era conhecida a teoria de Charles Darwin sobre a evolução das espécies. E Oparin, como um homem do seu tempo, leu essa teoria e o que lhe ensinavam na universidade não lhe parecia convincente. De acordo com as suas próprias palavras: «Não conseguia imaginar o aparecimento repentino de uma célula fotossintética a partir do dióxido de carbono, azoto e água». Isto levou-o a realizar experiências e a formular uma teoria alternativa que explicava como se tinha originado a vida no planeta.

A Teoria de Oparin: uma nova visão acerca da vida origem da vida

Decidido a encontrar uma explicação que o satisfizesse, Oparin pensou que, logicamente, o que deveria ter surgido em primeiro lugar, por via de um processo não biológico, eram as substâncias orgânicas a partir das quais se teriam formado mais tarde os primeiros seres vivos. Estes organismos, no início, deveriam ser heterotróficos, isto é, alimentavam-se de substâncias orgânicas do ambiente que os rodeava.

Na sua formulação teórica partiu da hipótese de que a vida teria surgido por meio de uma evolução de compostos orgânicos simples para compostos complexos auto-replicantes. Oparin foi o primeiro a propor a existência de uma atmosfera primitiva terrestre formada por gases que possuíam um grande poder redutor (dióxido de carbono e azoto) e água.

A sua hipótese baseou-se na possibilidade de se terem produzido reações químicas espontâneas entre os componentes da atmosfera primitiva, a partir das quais puderam formar-se as primeiras substâncias orgânicas. Segundo defende Oparin, as fontes para a produção destas energias foram as descargas elétricas produzidas nas numerosas tempestades que hão-de ter ocorrido devido à presença de muito vapor de água, às radiações do Sol, que terão sido muito intensas por não existir camada de ozono e à energia geotérmica proveniente da atividade vulcânica.

Segundo Oparin, esta proto-atmosfera, ou atmosfera primitiva, não possuía oxigénio, razão pela qual tinha propriedades redutoras, condição imprescindível para que não tenha havido destruição dos compostos orgânicos já formados. A hipótese prosseguia, defendendo que o vapor de água se condensou, o que levou a uma descida de temperaturas terrestres e, como consequência, à produção de chuvas torrenciais. Desta forma, originaram-se os oceanos primitivos, onde ocorreram reações químicas que deram origem à formação dos primeiros compostos orgânicos simples.

Assim, todas as moléculas se acumularam de forma progressiva até formar o que Oparin denominou a “sopa” ou “caldo primitivo”, constituído por mares cálidos de matéria orgânica. Os compostos isolaram-se do meio e formaram umas estruturas a que deu o nome de coacervados. A última condição necessária para que se originasse um sistema biológico foi a capacidade de reprodução destes organismos primitivos.

Por: António Costa


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