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Edição de 11-10-2018
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Secção: Em Foco

A seita secreta por de trás da praxe

Dominus Praxis é assim que se designa o grupo secreto que praxa de forma alegadamente violenta caloiros do curso de Ciências Biomédicas, da Universidade da Beira Interior, desde 2007.

Por: Ana Eugénia Inácio
Tempo de leitura: 4 m
 
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Oito elementos do grupo foram proibidos de praxar
Oito elementos do grupo foram proibidos de praxar  Clique na imagem para a aumentar.
Tudo começou em 2007, ano em que o curso foi lecionado pela primeira vez na universidade sediada na Covilhã. Desde então, com regras próprias, à margem do Código de Praxe da academia, e apenas com o conhecimento de quem dele fazia parte, o grupo funcionava como uma espécie de seita. Todos os anos, durante as praxes, eram selecionados dois a quatro caloiros de Ciências Biomédicas que eram depois submetidos a rituais sem que mais ninguém da academia o soubesse. A praxe, que habitualmente acaba no final de outubro, na Dominus Praxis prosseguia até ao final do ano.

Além de agressões aos caloiros, a estes era-lhes pedido que filmassem/ fotografassem colegas nuas. Os dados eram posteriormente partilhados num grupo secreto nas redes sociais. Superadas todas as “provas” e depois de um pacto de silêncio, os caloiros eram convidados a integrar o grupo. Foi assim durante 11 anos até à passada semana. Um dos dois alvos escolhidos este ano não pactuou com o ritual e acabou por denunciar o grupo à Comissão de Latada de Ciências Biomédicas, ao Fórum Veteranum – que controla a praxe na UBI, à própria universidade e ao Ministério Público. Uma situação que «surpreendeu tudo e todos», garantem os alunos da academia.

O INTERIOR sabe que o aluno terá sido levado na mala de um carro para a Serra da Estrela, juntamente com outro caloiro. Chegados ao local, sem saberem onde se encontravam, foi-lhes pedido que se despissem e foram agredidos com pás. O relato das sevícias foi feito perante o Fórum Veteranum que de imediato reagiu e marcou uma sessão de tribunal de praxe, sublinhando que «não constitui Praxe Académica, todo e qualquer ato de cobardia e (ou) violência gratuita, praticado por qualquer estudante da UBI». Deste julgamento resultou a proibição «de qualquer tipo de atividade praxística» por parte de oito elementos da seita, já identificados, todos estudantes da academia – entre eles está o responsável pela praxe do curso. O caso expôs também à luz do dia dezenas de outros nomes de antigos estudantes do curso associados ao grupo, tendo já sido entregue um livro de atas onde eram relatados os encontros do grupo.

Confrontada por O INTERIOR, a Comissão de Latada garantiu «nada ter a ver» com o sucedido e escusou-se a prestar mais declarações. Também da parte do Fórum Veteranum não houve qualquer resposta.

Ministério Público investiga praxes

O Ministério Público abriu entretanto um processo crime para investigar as alegadas praxes, depois de UBI ter apresentado queixa relativa aos atos que ocorreram na última semana. Internamente está também a decorrer um processo na Comissão Disciplinar do Senado que ainda esta semana deverá decidir qual será o futuro dos envolvidos na instituição: «Provando-se os factos, a sanção poderá chegar à interdição da frequência da UBI durante 5 anos», adiantou a instituição em comunicado. Esta foi até ao momento a única participação recebida pela reitoria desde o início do ano letivo, que realça que os acontecimentos «ocorreram fora das instalações da universidade». A UBI ressalva também que, ao longo do tempo, tem tomado «medidas para que a integração dos novos alunos seja feita de forma civilizada, sendo que há vários anos que não é permitida qualquer prática de praxe dentro das suas instalações».

Recordando que a universidade apenas «apadrinha atividades dos alunos que tenham cariz solidário e cívico», a UBI refere que o reitor António Fidalgo tem salientado, em todos os actos de receção aos estudantes, que a «integração de novos alunos deve ser feita de forma amigável por todos os intervenientes».

Quem também já reagiu foi a Associação Académica da Universidade da Beira Interior, presidida por Afonso Gomes, que defende que o caso deve ser «investigado até às últimas consequência». A AAUBI condena ainda «estes comportamentos que vão contra todos os valores que devem nortear a integração dos novos alunos, tais como a solidariedade, amizade e companheirismo».


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