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Edição de 11-10-2018
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Arquivo: Edição de 04-10-2018

Secção: Opinião

Andar a apanhar bonés
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Sempre fomos mais de apreciar o clima do que de compreender o clima. Sentimos a chuva quando nos cai em cima, o frio e o calor quando nos atacam, o vento que nos empurra e pronto. Para a maioria, é quanto basta. Como se forma a chuva, onde e como, não interessa para nada. Somos dados a dispensar, a seco, conceitos demasiados abstractos para a nossa cabeça, já se vê! Depois, ainda nos admiramos com o que alguém faz para esconder a sua aversão pelo fundo das coisas. A sua aversão por tudo o que, influenciando a superfície, só se encontra escavando, pelo menos, um bocadinho. Somos assim! Desinteressados e ignorantes, por militância. Achamos muito mais piada a discutir o sexo dos anjos que a discutir se os há. Não fora esta nossa mania e não nos teria dado para andar para aqui entretidos com o que pensa o reitor lisboeta do número de alunos que lhe deixaram reger, nem com o que pensa do que ele pensou o vice-reitor beirão.

Se estivesse para escavar muito, coisa para que não tenho grande queda, diria que a culpa é da pouca atratividade (vá lá saber-se porquê) com que o interior se oferece à maioria das pessoas. Vai daí, qualquer governo e oposição que se preze promete logo recompor os fatores demográficos. Tanta febre de promessas, se se analisar com boa vontade, leva-nos logo a concluir que vai dar pano para mangas, em disparates. Já, se a quisermos analisar à luz da teoria da conspiração, havemos de lhe encontrar propósitos a rasar o tenebroso. Assunto para outros campeonatos! Fiquemo-nos, portanto pela teoria do disparate.

Na sequência de uma disparatada medida – para “povoar” o Interior, dizem – um reitor, lisboeta, queixa-se – e bem – de lhe terem desviado alunos para outras universidades. Onde é que já se viu, quererem obrigar as pessoas a aprender em sítios de que nunca ouviram falar? Em lado nenhum! Ainda se for para obrigar pessoas com pouco dinheiro, daquelas que nem puderam pôr os filhos no colégio Moderno, ou Alemão, em explicações, ou assim, para conseguirem ter média digna de um curso de Economia, Gestão, de uma Nova, vá que não vá. Agora, obrigar pessoas que até podem pagar pelos mesmos diplomas à Católica, por exemplo, também não me parece nada bem. Quem tem recursos para estudar onde quiser nunca se sujeitou a numerus clausus. Nisso, dou toda a razão ao lisboeta, o reitor: também não estou a ver nenhum filho de um CEO, de uma das empresas do PSI20, a vir matricular-se na UBI. Aliás, se o fizer será, sempre, por uma qualquer esquisita convicção, nunca por imposição governativa.

Por outro lado, também não estou a ver, por razões óbvias, “os filhos dos agricultores e dos pobrezinhos”, de quem o vice-reitor, beirão, tem tanto orgulho, a fazê-lo. A menos que sejam da Covilhã, ou arredores! É que apesar de, se bem entendi, o vice reitor da UBI se julgar assim um género de S. Francisco, não deve estar lá muito disposto a arcar com as despesas dos que, não tendo tido recursos para garantir o acesso à universidade mais próxima, se veja obrigado, por via de uma clausura numérica, a mandar-se ao caminho, partindo de Lisboa e arredores, para frequentar a universidade. Mais, a mais, não tendo garantia alguma, como no caso de Bragança e Vila Real, de encontrar um quarto onde ficar, quanto mais um a preços comportáveis!

Por: Fidélia Pissarra


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