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Edição de 16-08-2018
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Arquivo: Edição de 09-08-2018

Secção: Opinião

Crónica Política
Tempos novos…
Tempo de leitura: 2 m
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Houve um tempo em que tinha sentido falar de ideologia. Tempos em que se sabia com grande probabilidade as fronteiras e as clivagens no pensamento político.

Existiam metas entre as quais se podia escolher, objetivos que eram precisos e diferenciados, que permitiam fazer opções e seguir modelos conhecidos.

Mas este mundo de que se falava não há muito, já não está lá, desapareceu, tornou-se coisa diferente, num tempo de estabilidade de preceitos constitucionais e de compromissos internacionais, obrigados a seguir, sem alternativa, de um modelo institucionalizado, de economia de mercado e de proteção social, em que o contrato, a propriedade privada e a liberdade de concorrência constituem pilares da estrutura jurídica desse modelo.

Falar assim de esquerda e direita deixa de ter sentido, pois todos os governos reclamam como missão a mesma ambição de aumentar o produto, controlar a despesa, apoiar os mais necessitados e erradicar a pobreza.

É certo que na curva do crescimento e da prosperidade, que o tecnicismo da economia sobrevaloriza, há pouca condescendência com a pobreza, resistência desagradável na estatística do discurso oficial. A pobreza, a nova e velha pobreza, não se confunde com o proletariado, que por ter uma relação contratual, geralmente no setor público, ganhou força e respeito.

A pobreza é outra coisa. Não tem direitos, não tem poder de reivindicação, não desafia, é esquecida, sente-se deserdada, vive alienada no seu mundo.

Neste sentido, perdidas as referências ideológicas, todas elas integradas no mesmo modelo institucional europeu, a pobreza está sem modelos de conduta, resignada e sem esperança por lhe terem recusado o mundo em que acreditou.

Talvez que aqui chegados possa, com a devida vénia, chamar à colação o pensamento de uma conhecida figura dita de esquerda que afirmou recentemente, não ter hoje sentido, a dicotomia esquerda direita, mas sim a afirmação dos valores da honestidade, da ética e eu modestamente acrescentaria, da competência.

Que assim parece ser, como se evidencia do recente caso Robles, onde a relevância da ética no discurso e na ação, constituiu o novo paradigma da análise e da ação política. É sem dúvida este o paradigma para resolver a equação da boa governação. Não é a ideologia mas sim a competência, a ética e a honestidade que deveria ditar a boa opção na escolha do eleitor.

Por: Júlio Sarmento

* Antigo presidente da Distrital do PSD da Guarda e ex-presidente da Câmara de Trancoso


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