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Edição de 11-10-2018
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Secção: Cultura

Fresco do século XVII descoberto em Vila Franca das Naves

Era suposto ter-se tratado de uma simples ação de conservação e restauro da Igreja de Matriz de Vila Franca das Naves (Trancoso), mas o impensável aconteceu. Por de trás do altar-mor estavam escondidas duas pinturas que se crê datarem do século XVI e XVII.

Por: Ana Eugénia Inácio
Tempo de leitura: 3 m
 
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Imagem remete para a coroação de Nossa Senhora da Conceição como Rainha
Imagem remete para a coroação de Nossa Senhora da Conceição como Rainha  Clique na imagem para a aumentar.
«Quando desmontámos o altar apercebemo-nos que havia uma pintura mural porque havia alguns espaços, alguns vermelhos», conta o padre Carlos Helena, que acompanhou todos os trabalhos. Estava desvendada uma descoberta inesperada e que os responsáveis quiseram levar até ao fim. «Começámos a fazer janelas de prospeção desta pintura e surgiram algumas caras. Percebemos logo que era bem rica», acrescenta o pároco. 

Por de trás do altar estavam então retratadas Santa Catarina de Alexandria e, possivelmente, Santa Luzia. Trata-se de uma pintura a seco e também por isso o estado de degradação é maior, pelo que é impossível confirmar o que lá está representado. Mas havia mais, em melhor estado estava «um painel maravilhoso», possivelmente do século XVII, cujas cores predominantes são o azul, vermelho e amarelo. A imagem remete para o «tempo da Restauração» e mostra «a coroação de Nossa  Senhora como rainha, com os anjos colocarem na sua cabeça uma coroa». Ali está ainda representada o brasão dos Almeidas. «Não é fácil datar este tipo de pinturas», adianta o técnico responsável de conservação e restauro, mas Pedro Silveira acrescenta que em Portugal «este género de pinturas remontam ao século XVI».

Não é a primeira vez que Pedro Silveira encontra uma pintura mural escondida pelo altar-mor: «É muito comum neste tipo de igreja», considera, acrescentando que nada fazia prever o que ali estava. «Tudo isto estava caiado e era nesta parede que assentava o retábulo principal da igreja. Só quando retirámos o altar em talha é que a pintura foi descoberta», recorda o padre Carlos Helena, que afirma que «nem as pessoas de cá imaginavam que tinham esta riqueza enorme». O pároco considera «interessante» que em Trancoso existam mais pinturas murais «muito parecidas» e sugere a criação de um roteiro turístico de pintura mural no concelho. Mas lembra que isso «só depende das entidades públicas». Na sua opinião, esta foi uma descoberta «extraordinária» e não tem dúvidas em afirmar que olhar para a pintura é «recuar e recordar o período da Restauração em Portugal, o tempo em que o rei colocou a coroa na Imaculada Conceição, em Vila Viçosa, e ver que aqui é a mesma temática, é extraordinário». 

Esta descoberta é também um novo atrativo em Vila Franca das Naves, pois «toda a população passou por aqui para ver o mural», que foi desvendado ao longo de mais de sete meses «num trabalho de levantamento muito minucioso para que a pintura não fosse danificada», refere Pedro Silveira. Ainda no início dos trabalhos foi necessário decidir se avançavam ou não com a descoberta das pinturas, não só pelos custos que isso implicava, como também pela incerteza do que iriam encontrar. Mas da parte da Comissão da Igreja chegou o «sim» e a maior parte do dinheiro para as obras, que custaram cerca de 20 mil euros. Contaram também com contribuições da população e o apoio da autarquia. Recuperada «esta pintura lindíssima», foi necessário fazer uma reintegração do altar para que o fresco pudesse ficar à vista, pois o modelo anterior tapava completamente a pintura. Assim, «o sacrário mudou de lugar» para tornar a pintura visitável, revela José Figal, membro da Comissão da Igreja, que também não dúvida que o “achado” é «uma grande mais-valia para a terra».

O padre Carlos Helena concorda, dizendo-se convencido que a descoberta vem «acrescentar algo mais a Vila Franca das Naves». De resto, acredita que naquela igreja poderá haver mais tesouros do género, mas por agora não haverá nova intervenção.


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