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Edição de 16-08-2018
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Arquivo: Edição de 09-08-2018

Secção: Cara a Cara

Cara a Cara - Carlos Gonçalves
«Os bombeiros estão cansados de andar de mão estendida para garantir a sua sobrevivência financeira»
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Carlos Gonçalves
Carlos Gonçalves  Clique na imagem para a aumentar.
P – Como está a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Guarda aos 142 anos de existência?

R - Somos uma associação cuja razão de existência é hoje, como há 142 anos, servir, cuja direção e comando trabalham diariamente para a dotar de mais e melhores meios, humanos e materiais, cuja função primeira é serem integralmente disponibilizados à população do concelho da Guarda, designadamente no combate a incêndios, no âmbito das suas competências de proteção e socorro, na emergência pré-hospitalar e no transporte de doentes. Esta direção tem o desafio de contribuir para que a instituição seja capaz de se autossustentar e tenha como pilar fundamental um corpo de bombeiros devidamente preparado e apetrechado para realizar missões de prevenção, defesa e socorro de pessoas e bens.

P – Quais são as principais carências da corporação?

R - Um das principais, e para a qual quero chamar a atenção da comunidade, da autarquia e do Governo, será a necessidade de mais uma Equipa de Intervenção Permanente na nossa associação. É uma reivindicação mais que justa, não só pela nossa dimensão, como também pela realidade física e características do concelho da Guarda, que possui um território muito vasto com características de montanha, eminentemente agrícola e florestal, e tem invernos agrestes. É por isso necessário garantir uma cobertura de maior número de horas do dia e principalmente reforçar a atual EIP no principal horário de existência de ocorrências, o período laboral. Mais, o nosso corpo de bombeiros efetua cerca de 85 a 90% dos serviços de emergência do município, confrontando-se com vários e diferentes níveis de risco por se situar, nomeadamente, na confluência dos principais eixos rodoviários e ferroviários de entrada de mercadorias e pessoas no nosso país. Temos a necessidade urgente de mais uma ambulância de socorro. O nosso parque automóvel, nomeadamente ambulâncias, tem viaturas em final de vida útil que é preciso substituir. Até ao final deste ano gostaríamos de ter mais um carro com estas características.

P – Também há carências de efetivos no corpo ativo?

R - Felizmente não. O corpo de bombeiros da Guarda é uma estrutura sustentável em termos de recursos humanos, quer em dimensão quer em qualificação. Exemplo disso são os 17 novos bombeiros e bombeiras que entraram em funções no domingo, após o seu juramento. Estes homens e mulheres, bem como todos aqueles que temos vindo a formar ao longo dos anos, são o exemplo acabado de que os jovens de hoje ainda se sentem atraídos pelo voluntariado e por esse sentimento altruísta de se entregarem a uma missão difícil, solidária e humanitária. Este é sem dúvida um dos maiores projetos que temos em mãos, conseguir atrair cada vez mais jovens para a esta causa.

P – Como está a associação em termos financeiros?

R - Esta direção começou por proceder a uma estabilização financeira das contas com o pagamento quase integral da nossa dívida de curto prazo junto de trabalhadores, fornecedores, prestadores de serviços e, naturalmente, garantindo as melhores condições operacionais ao corpo de bombeiros. Este equilíbrio permitiu-nos a aquisição de uma ambulância ABSC, tendo sido apresentada, no domingo. É óbvio que vivemos com dificuldades, como qualquer outra associação humanitária. Vivemos com uma comparticipação mensal da ANPC, do subsídio anual do município da Guarda e ainda da prestação de serviços de emergência pré-hospitalar e transporte de doentes. A Câmara tem concedido ainda alguns subsídios extraordinários, como em 2017, cerca de 25 mil euros, que permitiram diminuir o valor da componente financeira na compra do novo Veículo Florestal de Combate a Incêndios (VFCI), também apresentado no domingo. Esta aquisição foi alvo de uma candidatura ao Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR), elaborada pela anterior direção liderada por Luís Borges, a quem agradeço. Este ano o município irá comparticipar em 50% o valor total da compra dos Equipamentos de Proteção Individual para os novos elementos. Quero também agradecer a todos os nossos associados, às empresas e pessoas anónimas que têm apoiado esta associação da forma como o têm feito.

P – Qual é o valor das dívidas do SNS e da ANPC para com a associação?

R - O Estado é o primeiro a não cumprir as suas obrigações financeiras para com as associações. Neste momento, o SNS tem para com esta associação, não incluindo a faturação relativa a julho, um valor de aproximadamente 119 mil euros pelo transporte de doentes. A ANPC não tem qualquer valor em dívida. Quero chamar à atenção, mais uma vez, para o financiamento municipal das associações humanitárias de bombeiros, que deveriam receber um financiamento público, ajustado e equilibrado, que se adequasse à respetiva realidade operacional por prestarem um serviço na área da proteção civil da competência legal do Estado e das autarquias. Tem que haver um esforço de convergência entre o Estado, a Liga dos Bombeiros Portugueses e a Associação Nacional dos Municípios Portugueses para ser definido um modelo de financiamento adequado à especificidade dos serviços prestados pelos bombeiros em cada município. Por exemplo, a Câmara da Guarda emite mensalmente cerca de 24 mil faturas de água. Não seria possível, de forma legal, incluir em cada uma 0,50 euros para os bombeiros? É só fazer contas: teríamos cerca de 12 mil euros mensais para as três corporações e evitavam-se situações de divergência quanto às comparticipações. Os bombeiros estão cansados de andar de mão estendida para garantir a sua sobrevivência financeira. Se se mantiver esta situação, creio que se corre o risco de muitas das associações poderem fechar portas.

P – Isso pode comprometer a operacionalidade da corporação?

R - No que respeita a esta associação tudo faremos para que nunca esteja em causa a operacionalidade nem o socorro. Uma parte significativa das receitas, obtidas nas atividades de emergência pré-hospitalar e de transporte de doentes, será sempre canalisada para as despesas nas restantes áreas de socorro, incluindo a compra de viaturas, a sua manutenção e dos equipamentos de proteção individual. Não obstante todas as dificuldades, esta direção, com uma gestão cuidadosa, continuará a melhorar as condições do serviço prestado à comunidade.

P – Que projetos/iniciativas tenciona levar a cabo no seu mandato?

R - Gostaria de iniciar o projeto de um espaço museológico destinado aos bombeiros. Todas as associações têm carros antigos, muitos deles em condições muito degradadas, bombas de água antigas, outros utensílios e equipamentos obsoletos, que poderiam ali colocar e mostrar ao país a riqueza que cada uma possui. Um equipamento desta dimensão contribuiria sem dúvida para a tal coesão territorial, para o desenvolvimento de uma região que todos ambicionamos conseguir.

Perfil:

Presidente da direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Egitanienses

Idade: 57 anos

Naturalidade: Pinhel

Profissão: Engenheiro civil

Currículo: Licenciatura em Engenharia Civil, especialização de Hidráulica, pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (1986); Pós-Graduação em Redes e Instalações de Gás Natural. Atualmente engenheiro civil na Unidade de Saúde Pública da Unidade Local de Saúde da Guarda, EPE.

Livro preferido: “A Peste”, de Albert Camus

Filme preferido: “A Janela Indiscreta”, de Alfred Hitchcock

Hobbies: Ler, colecionar Selos e caminhar


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