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Edição de 16-08-2018
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Secção: Opinião

Mitocôndrias e Quasares
Lazzaro Spallanzami
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Lazzaro Spallanzami foi um notável professor de Física e Matemática na Universidade de Reggio, de Lógica e Metafísica em Modena e de Ciências Naturais na Universidade de Pavia. As suas investigações granjearam-lhe o nome de “biólogo dos biólogos” pelas suas múltiplas áreas de interesse.

Spallanzani era um apaixonado do conhecimento e, dentro das ciências, o seu campo de estudo foi amplo. Abarcou desde a origem da vida até à regeneração, à respiração e outras funções dos animais e dos seres humanos.

Além disso, estudou a questão da regeneração espontânea de algumas partes do corpo dos anfíbios e répteis, mas não conseguiu entender porque isso não acontecia nos humanos e noutros animais.

Este cientista retomou aquilo que um século antes tinha sido estudado por Francesco Redi, acerca da geração espontânea da vida, e demonstrou que tal não existia. Com os seus trabalhos, Spallanzani abriu caminho a Louis Pasteur, que trabalhou quase um século mais tarde.

Entre as suas obras podem citar-se “Memória sobre a Respiração”, “Opúsculos da Física Animal e Vegetal” e “Experiências Ilustrativas sobre a Geração”. Lazzaro Spallanzani, além de biólogo de renome, foi sacerdote católico e a sua vida foi marcada pela procura da relação entre a verdade científica e a metafísica. Na procura desta relação Spallanzani envolveu-se numa troca de ideias acesa com o sacerdote inglês John Needham.

A invenção e aperfeiçoamento do microscópio renovaram a aceitação da abiogenese. Em 1683, Anton van Leeuwenhoek descobriu as bactérias e decorrente desta descoberta foi compreendido que, independentemente da forma como a matéria orgânica era acondicionada ou protegida, uma vez que a putrefação ocorresse, era invariavelmente acompanhada de uma miríade de bactérias e outros organismos. Deste modo, não se acreditava que a origem desses seres estivesse relacionada com a reprodução sexuada, acabando esta origem por ser atribuída à geração espontânea.

Em 1745, John Needham realizou novas experiências que vieram reforçar a hipótese da vida se poder originar por abiogenese. Consistiam em aquecer em tubos de ensaio líquidos nutritivos, com partículas de alimentos. Fechava-os, impedindo a entrada de ar, e aquecia-os novamente. Após vários dias, nesses tubos proliferavam enormes quantidades de pequenos organismos.

Mas em 1768 Lazzaro Spallanzani criticou duramente a teoria e as experiências de Needham. Para tal realizou atividades similares, onde ferveu frascos fechados com sucos nutritivos durante uma hora, que posteriormente foram colocados de lado durante alguns dias. Examinando os frascos não encontrava qualquer sinal de vida. Ficou dessa forma demonstrado que Needham falhou em não aquecer suficientemente a ponto de matar os seres pré-existentes na mistura.

A disputa entre John Needham e Lazzaro Spallanzani foi longa e inflamada. O sacerdote católico inglês continuou a afirmar que o que o biólogo italiano fazia era destruir o espírito vital em cada fervura, e este demonstrou que a fervura apenas destruía os esporos das bactérias, não um princípio de vida de índole mística.

Finalmente, a experiência de Spallanzani impôs-se e deu-se então o início de um novo capítulo na história da ciência.

Por: António Costa


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