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Edição de 24-05-2018
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Arquivo: Edição de 10-05-2018

Secção: Opinião

População estrangeira residente na região das Beiras e Serra da Estrela
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O SEF e o Eurostat publicaram recentemente algumas estatísticas sobre o tema que nos ajudam a compreender melhor esta problemática. Segundo o Eurostat, Portugal é o 20º país a na U.E. a atrair estrangeiros que vêm sobretudo para investir, estudar e investigar. E como se repartem esses novos habitantes pelos municípios da região das Beiras e Serra da Estrela? A Covilhã e Fundão da Cova da Beira, seguida da Guarda e Sabugal, são as zonas mais atrativas. Poderão estes fluxos humanos dar mais vida ao interior? Aumentar a sua taxa de natalidade e vitalidade? Rejuvenescer as nossas cidades, vilas e aldeias? Reduzir o excessivo peso da terceira idade na população geral?

Segundo esses dados o número de autorizações de residência em 2017 aumentou 19% comparativamente a 2016. Brasileiros, asiáticos e oriundos dos PALOPS são em maior número. A imigração cresceu 19% no ano passado em comparação com 2016, a maior subida dos últimos cinco anos. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) concedeu 29 055 autorizações de residência (AR) a naturais de países terceiros à União Europeia (UE) em 2017, aproximando-se dos valores anteriores ao auge da crise. Estrangeiros que trabalham em Portugal, que se juntam a familiares que já cá estavam, que investem, estudam ou fazem investigação. Estas são as principais razões da entrada. Nos últimos seis anos (ver gráfico), Portugal regularizou quase 150 mil imigrantes, permitindo-lhes a entrada no espaço Schengen ao abrigo da legislação da imigração (lei 23/2007, atualizada com a lei 102/2017). Os responsáveis do SEF sublinham que “são dados provisórios, em fase de consolidação”. Não restam, no entanto, dúvidas de que o número destes cidadãos voltou a subir depois dos anos da crise. Em 2012 foram atribuídas 28 681 destas residências, baixando para 22 600 no ano seguinte, valores que se mantiveram até 2015. Seguiu-se uma subida de 9,3% em 2016, que foi mais significativa no ano passado (18,8 %).

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Em 2014, quatro em cada 100 residentes em Portugal tinha uma nacionalidade estrangeira, um valor bastante aquém da média verificada para a globalidade dos países da União Europeia em que a relação é de sete em cada 100 residentes. É, pois, ainda relativamente baixa a importância estatística da população estrangeira residente em Portugal. Segundo dados divulgados pelo EUROSTAT, em janeiro de 2014 Portugal ocupava o vigésimo lugar entre os 28 países do espaço europeu, em função da importância relativa de estrangeiros no total da população, tendo descido na sua posição como consequência de ter diminuído a população estrangeira residente no país nos últimos anos.

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Imigrantes residentes nas BSE: Segundo dados do censo populacional de 2011 publicados recentemente (2015), em Portugal residiam 81778 estrangeiros, dos quais 1696 residiam na região das Beiras e Serra da Estrela.

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Dos 81778 estrangeiros residentes em Portugal em 2011, 17012 (ou 20.8%) residiam na Região Centro (RC) do país, e destes 1696 (10% da RC) viviam na sub-região das Beiras e Serra da Estrela (BSE).

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Repartição pelos Concelhos das BSE

Os concelhos onde se concentram mais residentes estrangeiros são a Covilhã com 307 (18.1%, o 1º na região), o Fundão 251 (14.8%, 2º), a Guarda 176 (10.4%, 3º), o Sabugal 175 (10.3%, 4º), Gouveia 165 (9.7%, 5º) e Seia 144 (8.5%, 6º). Os pesos nos restantes concelhos da região são os seguintes: Trancoso 99 (5.8%, 7º), Almeida 72 (4.2%, 8º), Figueira de Castelo Rodrigo 66 (3.9%, 9º), Celorico da Beira 64 (3.8%, 10º), Fornos de Algodres 44 (2.6%, 11º), Pinhel 42 (2.5%, 12º), Belmonte 38 (2.2%, 13º), Mêda 31 (1.8%, 14º), e Manteigas 22 (1.3%, 15º).

Poderão estes Estrangeiros dar Mais Vida ao Interior?

Sem dúvida que a resposta é afirmativa. Aumentar a taxa de natalidade e a vitalidade, rejuvenescer as nossas cidades, vilas e aldeias, e reduzir o excessivo peso da terceira idade na população geral são alguns dos objetivos que se procuram atingir com a atração de estrangeiros a estas regiões do país. Quando muitos dos nossos nacionais não se mostram muito atraídos pelas belezas, encantos e empregos do interior por vezes é mais fácil inverter a tendência de esvaziamento recorrendo a estrangeiros que não se importam nada de se radicarem. E há imigrantes, como os da Ucrânia e outros países da Europa de Leste, que trazem ótimas formações superiores, técnicas, artísticas e com conhecimentos de línguas, que facilmente se adaptam ao país, à região e até à língua portuguesa. Oxalá as políticas da U.E. e nacionais vão nesse sentido, haja empresas que se instalem e criem postos de trabalho nas BSE, que muitos dos jovens portugueses que tiveram que emigrar desde 2008 regressem às suas terras de origem e que, a par destes, muitos imigrantes (estrangeiros) venham e se instalem. Aliás, o processo de consolidação e de fixação de professores doutorados, altamente qualificados, na Universidade e I. Politécnicos da região também passou, e muito, pela contratação de estrangeiros, sobretudo polacos, russos e de outras nacionalidades, a par de alguns nacionais…

Por: José Ramos Pires Manso

* Prof Catedrático de Economia e Responsável pelo Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social, Universidade da Beira Interior


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