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Edição de 12-07-2018
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Arquivo: Edição de 12-04-2018

Secção: Opinião

Crónica Política
A fraqueza do regime
Tempo de leitura: 3 m
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Na atual conjuntura política parece haver uma teologia que dispensa, em várias emergências, a necessidade de formular um pensamento coerente e estratégico exigível face aos interesses da comunidade.

O discurso vazio e redondo vai entretendo a falta de propostas e escondendo a ausência de valores, de competências e de capacidade, que assegurem o triunfo e o sucesso das políticas.

O debate político, quando não encontra firmeza na justeza de argumentos para afirmar as convicções de cada um, exprime a sua paixão ideológica, concedendo a mesma cidadania à palavra e ao palavrão, à crítica de opiniões e ao insulto de quem opina, vulgarizando e enfraquecendo o legitimo combate político pelo abuso da demagogia e da falta de autenticidade.

À pobreza do discurso alia-se a fraqueza do regime, que coloca no primeiro plano das inquietações gerais o interesse privado do partido, dos amigos e da família, em omissão dramática da ética, dos valores democráticos e até, por vezes, do próprio Estado de Direito.

Caracteriza ainda os regimes fracos, a liturgia que passa o tempo a queixar-se da herança recebida, cada um dizendo-se vergado pela dificuldade e naturalmente absolvido da sua incapacidade e dos seus erros. Acontece que os povos recebem a herança sem benefício de inventário e aí se encontra o ativo e o passivo de todas as épocas e todas as gerações. Não vale a pena pretender esquecer a natureza das coisas embora seja evidente que a simples tentativa é reprovável.

No balanço geral encontramos mais motivo de orgulho do que de mágoa e a história se encarregará de a registar sem omissão. É naturalmente lamentável que nos tenhamos de vergar à dureza dos factos e se não possa superar essa mediocridade, para encontrar processos e cidadãos que sirvam melhor o interesse comum, num mundo diferente e mais livre e participado.

O regime exprime também a sua fraqueza quando todo o projeto político se reduz a um ajuste de contas, a uma aula de ideologia, transformando as etiquetas políticas no primeiro dos problemas. Os valores e a cultura de uma sociedade evoluída e esclarecida não podem ficar dependentes de uma lógica de oportunidades e conveniências pessoais. Sobrepor ao interesse comum a lógica de interesses individuais é abrir a porta ao nepotismo que vive da invenção de novos carismas pessoais, da humilhação de alguns e da gritante injustiça de muitos.

São os regimes fracos que vivem desta teologia, do rancor, do ressentimento, do dedo em riste, da difamação, da perseguição, a todos os que ousem discordar, da desculpabilização permanente, olhando o passado como acidente e o presente como ocasião, servindo-se da política como estribo da sua ambição pessoal.

Por: Júlio Sarmento

* Antigo líder da Distrital do PSD da Guarda e ex-presidente da Câmara de Trancoso


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