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Edição de 19-04-2018
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Arquivo: Edição de 12-04-2018

Secção: Opinião

Ativos tóxicos
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O turbodiesel parecia a solução para muitos problemas: carros com consumos baixos, desempenhos competitivos, mecânica fiável, baixas emissões. Tudo tão bom que parecia bom de mais para ser verdade. Como se viu, não era verdade e com o escândalo dos motores a gasóleo da Volkswagen foi tudo posto a nu. Afinal, para se obterem esses consumos baixos e esses bons desempenhos era necessário que os motores fossem muito mais poluentes do que é admissível e, para passarem nas inspeções automóveis, era necessário um software que detetasse que o carro estivesse a ser inspecionado e que, enquanto o estivesse, limitasse artificialmente as emissões poluentes. Descobriu-se também que não eram apenas os motores Volkswagen que estavam em causa, fazendo batota, mas sim toda a indústria automóvel. Não havia milagres.

Já se sabia há muito que o dióxido de enxofre, produzido pela queima de gasóleo, era muito prejudicial à saúde. Sabe-se agora que provoca pelo menos 38.000 mortes por ano, apenas pelo falhanço em se respeitarem os limites das emissões legais.

Quando as autoridades se aperceberam da fraude e da sua dimensão, houve consequências um pouco por todo o lado. Um tribunal alemão decidiu que a Volkswagen era obrigada a recomprar todas as viaturas afetadas pela fraude e, só nos EUA, viu serem-lhe devolvidos centenas de milhares de carros, agora notoriamente “estacionados” num deserto californiano. Muitos serão “recondicionados”, outros serão simplesmente destruídos. Entretanto, rumores recentes sugerem que as marcas automóveis recomeçaram a recorrer a software fraudulento para enganar as inspeções.

O recurso à batota durante tanto tempo, e a sua insistência agora, revela a impossibilidade de conjugar, no diesel, os baixos consumos e elevados desempenhos com emissões aceitáveis de gases poluentes. Segundo revela a DECO, 45% dos proprietários de viaturas reparadas pela Volkswagen queixam-se de que os carros passaram a consumir mais, a ter desempenhos medíocres e que os motores passaram a fazer mais barulho.

Milhões de consumidores, milhares de empresas e instituições estão pouco a pouco a concluir terem sido enganados. Só em Portugal circulam nas estradas mais de milhão e meio de viaturas a gasóleo em desrespeito dos limites máximos de emissões poluentes. Estes limites terão de diminuir obrigatoriamente, e com urgência, tal a gravidade da ameaça à saúde pública. Por todo o lado anunciam-se restrições à circulação de veículos a gasóleo e por todo o lado os proprietários começam a preocupar-se. O OLX viu aumentar exponencialmente a oferta de viaturas a gasóleo em segunda mão e os preços começaram a baixar. Quem os tem não os quer e os possíveis compradores estão desconfiados. Quem se arrisca a comprar um carro que não tem a garantia de poder andar na estrada daqui a alguns anos?

Quanto ao outro problema, o do prejuízo que os proprietários desses carros vão ter, em valor do bem adquirido, ou das expectativas frustradas, ou da fraude de que foram vítimas, a Justiça terá uma palavra a dizer.

Por: António Ferreira


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