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Edição de 20-09-2018
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Arquivo: Edição de 18-01-2018

Secção: Opinião

República Popular do Ajuste Direto
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«Não se pode pensar em movimento radical, forte e vivo, onde não haja controvérsia. A unanimidade absoluta só existe nos cemitérios». Lindas estas palavras, dignas de um paladino dos direitos das liberdades e garantias, meteria mesmo as capazes num bolso nomeando para apresentar o festival Eurovisão da Canção um Eládio Clímaco e uma Ana Zannati, depois de uma operação de mudança de sexo, orientação sexual, hábitos alimentares e adição de melanina.

«Teríamos acabado sozinhos se governássemos apenas pelo medo». Bravo, só faltava a este querido líder despenalizar os fritos nos hospitais e aprovar a canábis terapêutica e todos os problemas verdadeiramente importantes estariam resolvidos. Uma pena que Joseph também tenha dito que não há nada melhor do que descobrir um inimigo, preparar a vingança e depois dormir tranquilo. “Apenas” um pequeno deslize do grande democrata Joseph Stalin, isso e os gulags.

E se o passado nos choca, o presente continua a bridar-nos com tiques de tempestivo autoritarismo, não por unção divina no monte Baekdu, ou sequer no cabeço das Fráguas. «O povo assim quis» e isso serve de justificativa para toda e qualquer decisão. Afinal de contas que regime não tem o seu Trotsky e tios atirados às feras?

Convoca-se a Assembleia Popular Suprema, afina-se a máquina de boa imprensa, afirma-se que o sol gira à volta do líder, jura-se subserviência ao seu arbítrio, aplaude-se de forma concertada e pune-se quem com artigos de jornal ou conversa de café não alinha com o regime. No Teatro Municipal de Ping-Pong-Yang, que nunca será nacional, a bola cai sempre para o mesmo lado. No seu foyer será colocado, na falta do verdadeiro pelourinho, o ironicamente designado Cruzeiro do Bonfim. O resto da história já todos conhecem. Quem pode dizer não a uma bela tradição medieval?

É neste abracadabrante pântano, cluster festivaleiro, que se continua a aguardar pela despoluição dos rios, captação de investimento e habitantes e resolução dos verdadeiros problemas urbanos. Pelo meio muita areia para os olhos e um pequeníssimo grão na engrenagem, para adjudicações de bens e serviços o limite máximo passou de 75 mil euros para 20 mil consultando apenas a uma empresa. Em 2018 teremos o milagre da divisão de contratos e da adição nas portagens da A23.

P.S.: O assunto árvores tornou-se um tema tóxico no nosso concelho. De tantas vezes falar nele a repulsa que provoca na generalidade das pessoas é maior do que o interesse por saber o que realmente e quem defende o quê e porquê.

A providência cautelar das obras do parque municipal, da qual fui um dos subscritores, teve como objetivo primordial travar o abate INDISCRIMINADO de árvores naquele espaço. Sempre se defendeu que a fundamentação deveria preceder a ação. Se há árvores no espaço público que colocam em risco pessoas e bens? Claro que sim. E quem monitoriza essas e todas as outras árvores, com que regularidade e com que técnicas? Como não existe resposta adequada e de forma a tornar um assunto que se tornou político num assunto técnico, foi apresentada na Assembleia Municipal pelo deputado José Carlos Lopes, da bancada “Guarda em Primeiro” (CDS/PPM/MPT), uma proposta de regulamento municipal do arvoredo, aberta à participação de todos, com primazia por técnicos da área, com o objetivo de responder a todas essas questões, incluindo os abates, que se tornariam por essa via bem mais consensuais. Proposta essa de imediato rejeitada pelo executivo.

Com a devida informação técnica, credenciada e ao alcance de todos, deixaríamos de estar sujeitos à atuação aleatória e à visão RX dos decisores. Quando as árvores caírem não culpem a sua decrepitude, culpem quem prefere assobiar para o lado e que age reactivamente sem suporte técnico e não preventivamente. Ou será que a queda da enorme grua há um ano foi causada por falta de poda.

Por: Pedro Narciso


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