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Edição de 12-07-2018
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Arquivo: Edição de 11-01-2018

Secção: Editorial

Editorial
Ir e voltar
Por: Luis Baptista-Martins
Tempo de leitura: 3 m
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1. Muito para além do debate público sobre o estado da Nação, sobre o sucesso das contas públicas, da redução do défice ou do aplauso do Eurogrupo ao ministro Centeno há a realidade. E a realidade é a de um país que vive entre o sonho do sucesso prometido e o medo de chocar de frente com a realidade; é o contraste entre o brilho dos discursos e um país onde os jovens continuam a emigrar por falta de oportunidades; é a diferença entre uma sociedade urbana, moderna e letrada com o Portugal profundo, rural e pobre.

E é a distância entre o país do litoral e o do interior - até parece que não há mais nada sobre o que escrever, mas quando (como nestas primeiras edições de 2018) convidamos pessoas de diversas sensibilidades para escreverem sobre as expetativas para 2018, as assimetrias, o despovoamento e a falta de coesão territorial acabam por ser transversais a todos as reflexões sobre o presente e o futuro dos nossos territórios de baixa densidade.

Há mais assuntos? Há, muitos mais, mas refletir sobre o nosso contexto, sobre os desígnios e desilusões, sobre a nossa própria incapacidade de contribuirmos para a mudança, é em primeiro lugar uma forma de participar no diagnóstico e contribuir para a mudança de paradigma. E é também um contributo para defender mais mudanças, para um país a várias velocidades; um clamor contra o Portugal atávico que foi sendo silenciado e esquecido.

Em 2017, o Portugal inebriado com o sucesso internacional e com o crescimento extraordinário do turismo bateu de frente com a realidade – em Pedrógão e no dia 15 de outubro – descobrindo um país subdesenvolvido e incapaz de se defender da tragédia. O fogo destruiu um terço do país. E mostrou da forma mais trágica que não há futuro nas povoações rurais, no campo e longe de Lisboa. O despovoamento cada vez mais intenso é mesmo acompanhado pela desertificação: o território fica desabitado, abandonado, um ermo de que todos vão fugindo.

2. Em contraste com tudo o que tem sido dito nos últimos anos, sobre os jovens que emigram, há neste momento uma pequena revolução em relação à emigração de jovens qualificados. No final de 2017 houve diversas ações de sensibilização e debate sobre o “ir” e o “voltar”, como as que foram promovidas no âmbito do programa “Match Point Porto-2017”.

Entre 2012 e 1014, por causa da crise, abandonaram Portugal mais de 40 mil profissionais altamente qualificados. “Cérebros” que fazem falta às empresas nacionais e que o governo e as universidades querem atrair e “recuperar”. São uma geração preparada que pode regressar, com mais conhecimento e experiência adquirida, e que, assumidamente, em condições similares, preferem viver no seu país.

Às costas nomeadamente do programa Empreender 2020 há cada vez mais jovens licenciados que querem regressar ao país. E há cada vez mais grandes empresas e instituições na linha da frente dessa dinâmica de regresso. O interior pode ser, a priori, aquele que tem menos para oferecer mas é o que mais terá a ganhar se tiver iniciativas, projetos e apoios para conquistar esses “cérebros”. As universidades e politécnicos, as autarquias, as empresas e as associações devem procurar promover plataformas de conhecimento e empreendedorismo que possam atrair os que regressam e alavancar novas dinâmicas. Muitos dos milhares de jovens qualificados que emigraram durantes a crise são originários da região e atraí-los e “recuperá-los” pode ser uma fonte de energia e conhecimento extraordinários. Não percamos tempo.


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