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Edição de 19-04-2018
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Secção: Cara a Cara

Cara a Cara - Anselmo Sousa, presidente da Câmara da Mêda
«Queremos recuperar a economia e incentivar pequenos produtores a produzirem mais»
Tempo de leitura: 12 m
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Anselmo Sousa
Anselmo Sousa  Clique na imagem para a aumentar.
P- Quais são as grandes opções para os próximos quatro anos na Mêda?

R- Para este mandato as linhas orientadoras são apostar essencialmente na divulgação e promoção daquilo que realmente temos de melhor: os nossos produtos endógenos. Queremos apostar fortemente na agricultura, porque sabemos que é um meio de subsistência no nosso concelho, temos consciência que temos os melhores produtos no vinho, azeite, mel, etc. Temos excelentes produtores  e queremos incentivá-los cada vez mais para que possam rentabilizar esses mesmos produtos. Queremos recuperar a economia com o produto da terra e por isso também queremos incentivar pequenos produtores a produzirem mais, bem como a criação de pequenas empresas para que os jovens se possam aqui fixar, pois esta é umas das preocupações do nosso concelho. Consideramos ainda importante a ampliação da nossa zona industrial, já que há pequenas e médias empresas que se querem instalar e neste momento não temos capacidade de resposta. É um investimento bastante importante, não só para fixar PME’s, como também para criar condições para que os nossos empresários possam ampliar a sua atividade.

P- E o grande projeto para este mandato?

R- A nossa intenção é trazer para o concelho da Mêda pequenas e médias empresas e outros investimentos que possam fixar essencialmente os  jovens do concelho. Temos consciência que não é fácil, parte um pouco de políticas a nível local, mas também de políticas do Governo central. No fundo, é criar condições para que os nossos produtores se possam fixar e crescer cada vez mais.

P- Hoje em dia ouvimos dizer por todos os autarcas que a aposta tem que ser atrair turistas, para um desenvolvimentismo económico assente no turismo. O que é que o concelho da Mêda tem para oferecer?

R- Temos consciência da importância que o turismo tem para atrair pessoas ao concelho. Temos um excelente património natural e cultural, temos muito para oferecer aos nossos visitantes e portanto outra preocupação deste executivo é criar condições para que os turistas possam vir e permaneçam algum tempo no concelho, que não seja só de passagem. É possível criar um roteiro, não só na Mêda, como com os concelhos vizinhos de Figueira de Castelo Rodrigo, Pinhel, ou Trancoso, pois é importante criar a uma escala maior para que os turistas possam vir e visitar vários pontos nesta região. Acreditamos que só assim será possível atrair mais gente. Nós já fazemos esse tipo de parcerias com alguns concelhos, por exemplo a nível do desporto.

P- O concelho da Mêda tem duas unidades de turismo de referência, que podem ser também âncoras para atrair pessoas. Poderá haver outras apostas nomeadamente de turismo de alojamento local, ou em gastronomia?

R- É bastante importante criar condições logísticas. Neste momento temos em Marialva um dos melhores espaços a nível nacional do turismo habitação e que está numa Aldeia Histórica. Temos também o Hotel Termal de Longroiva, que é uma unidade de referência e que assenta no turismo termal. É portanto uma diversidade muito grande e uma riqueza muito grande que o nosso concelho tem e que é importante. Atualmente estamos a criar condições para que possam ser criadas outras unidades de restauração no concelho. 

P- Um concelho com um vinho de qualidade e outros produtores de referência, é outra aposta em termos de dinamização, nomeadamente através da feira de atividades que se faz no concelho?

R- A Mêda tem excelentes produtores de vinho. Neste momento temos um dos melhores vinhos a nível nacional, temos vários produtores a investir em força nesse produto e alguns já instalados há bastante tempo e outros poderão vir. Enfim, esta é também uma forma de divulgarmos e atrair mais visitantes.

P- Disse na tomada de posse estar disponível para ouvir oposição, como tem corrido essa tarefa?

R- Da nossa parte tem havido uma abertura bastante grande e penso que é importante. Este diálogo com as várias forças da oposição é importante para todos e para o concelho, independentemente de o ser para os partidos. Isso aconteceu logo na elaboração do orçamento de 2018, em que tivemos várias reuniões com os eleitos do CDS e do PSD antes da aprovação do documento. Os vereadores da oposição apresentaram várias propostas e opiniões e sabem que têm boas propostas. Todos juntos somos poucos para fazermos crescer e dinamizar o concelho da Mêda. 

P- No entanto não conseguiu o voto favorável dos vereadores da oposição na votação do orçamento, o que falhou?

R- Não sei, talvez porque estamos no início do novo mandato. O PSD aceitou e apresentou propostas muito válidas que foram incluídas no orçamento. Estava convencido que o seu vereador votaria a favor, mas absteve-se. Talvez, não sei, para fugir ao rótulo de que “se vendeu”. Mas não votou contra e portanto contribuiu para que fosse viabilizado. Já os dois vereadores do CDS, um absteve-se e o outro votou contra. Também apresentaram sugestões e foram acatadas e incluídas no orçamento e quando foi na aprovação votaram contra. Na verdade foi uma grande surpresa, não sei qual foi a razão, talvez seja única e simplesmente política.

P- Acredita que no futuro pode haver mais conciliação tanto com o PSD como com o CDS?

R- Com o PSD estou convencido que sim, tenho a impressão que estão de boa-fé para colaborar e para ajudar com as propostas de uma forma construtiva. Já não posso dizer o mesmo relativamente a um dos vereadores do CDS. Não sei qual é a intenção deles.

P- Uma vez que não tem uma maioria, teme que a oposição possa vir a inviabilizar algumas decisões? Pensa fazer algum acordo?

R- Não temo. Eu estou de consciência tranquila. Estamos aqui para dar o melhor pelo concelho e aceitar as opiniões e sugestões dos restantes vereadores. Se todos estiverem de boa-fé, penso que as coisas vão correr bem.

P- Sendo assim, não tem problemas em afirmar que vai levar o mandato até ao fim... Não teme que alguém lhe venha criar oposição ao ponto de não poder governar?

R- Estou convencido e determinado em levar o mandato até ao fim. Da oposição espero também essa atitude.

P- Recordando que no mandato anterior um vereador do PSD assumiu pelouros e fez parte da gestão diária do município, poderá haver, nos próximos tempos, essa solução com algum vereador do PSD ou CDS?

R- Não tenho dúvida que seria mais fácil a governação da Câmara se houvesse um acordo com um dos vereadores da oposição. Não tenho problema nenhum em oferecer pelouros se os aceitarem, por exemplo nas áreas do deposto, educação ou turismo. Acho que seria uma hipótese boa para o concelho.

P- Foi já falada a necessidade de ampliar a zona industrial, pois atualmente não tem capacidade para absorver mais empresas. É um projeto que pode ir para a frente?

R- Estou convencido que há pequenas e médias empresas que é possível atrair, bem como criar condições para os empresários que já cá estão se possam expandir. São empresas da áreas de construção civil, mecânica, etc. 

P- Com que dinheiro pensa fazer isso, vai candidatar a obra? Há essa hipótese? Existe já algum projeto?

R- Temos um projeto mas julgo que não se adapta bem àquilo que pretendemos, pelo que estamos a reformulá-lo. Esperemos que haja algum apoio a que nos possamos candidatar, mas, com ou sem apoio, nós vamos avançar com a obra, pois há disponibilidade financeira para fazer esse investimento. Ainda este ano vamos avançar.

P- Acha que pode aparecer alguma grande empresa que possa gerar emprego? Há algum contacto nesse sentido?

R- Temos tido um contacto com um investidor, mas neste momento ainda não posso “levantar o véu”. Espero, no entanto, que se possa concretizar, seria uma mais-valia para a criação de alguns empregos na Mêda.

P- Para além da questão do emprego, quais são atualmente as principais carências da Mêda?

R- O emprego é sem dúvida a maior carência. Aquilo que mais nos custa é todos os dias virem aqui bater à nossa porta, jovens e menos jovens, à procura de emprego. Relativamente a infraestruturas estamos bem servidos, é um concelho equipado a nível cultural e desportivo. Temos apostado em atividades desportivas a nível internacional como uma mais-valia para a promoção do município da Mêda, pois esses eventos poderão ser sem dúvida alguma uma âncora para o desenvolvimento e atrair pessoas, que vêm e gostam das condições no nosso concelho. Estamos a desenvolver uma atividade de BTT, em que trazemos os maiores atletas nacionais e alguns internacionais e ficam encantados quando chegam e veem as condições que a Mêda tem. Alguns vêm num ano e no seguinte já trazem a família e passam cá dois ou três dias e provam os nossos produtos. O turismo de natureza e patrimonial são também um ponto forte. Queremos contribuir para o desenvolvimento da economia através de alguns eventos e outra forma é através dos nossos emigrantes espalhados pelo mundo e que estão bem posicionados. A nossa intenção é que já este ano seja criado um fórum da diáspora, de caráter anual, onde possamos reunir todas as pessoas para que deem o seu contributo para o desenvolvimento da Mêda.

P- Como está a situação financeira da Câmara da Mêda? 

R- Está controlada e está bem. Posso dizer que não temos dívidas, somos uma Câmara que paga a 10, 15 dias aos fornecedores e empreiteiros. Consideramos isso uma mais-valia. É importante para as pessoas que trabalham connosco saberem que fornecem um produto à Câmara e recebem poucos dias depois. 

P- Também as avenças foi um tema referido pela oposição, como um gasto supérfluo… Podem vir a ser repensadas?

R- Julgo que é uma falsa questão. É evidente que a oposição tem que se agarrar a alguma coisa. A Câmara tem também uma vertente social, temos cerca de 135 funcionários, e nalguns setores senti necessidade de contratar avenças. Ora, trata-se de avenças que são para repensar. Algumas são necessárias para os serviços, outras iremos ver. Por agora estamos a fazer um organograma da Câmara e é uma análise. Aquelas pessoas que entendermos serem necessárias serão para entrar para o quadro de pessoal. Não tenho dúvida nenhuma que há áreas em que é necessário contratar pessoas. Alguns avençados fazem falta nos quadros da autarquia.

P- Uma das apostas nos últimos anos foi um festival de música, é uma aposta para continuar? É acreditando nesse tipo de eventos que se pode levar a que os jovens tenham algum prazer em ter uma relação com a Mêda?

R- O festival Mêda +, que já conhecido a nível nacional, tem atraído todos os anos milhares de jovens à Mêda, o que permite que o concelho seja conhecido noutros pontos do país. Tem sido uma aposta ganha e é para continuar.

P - Vai manter-se no mesmo local?

R- Vamos ver. Estamos a ver se conseguimos um espaço mais central. Mas consideramos que o local atual também não é muito longe, e nós disponibilizamos autocarros todas as noites e criamos todas as condições aos jovens, que podem também ficar no nosso parque de campismo de forma gratuita.

P- Se o INFARMED vai para o Porto, por essa ordem de razões, o que poderia vir para a Mêda?

R- A descentralização dos serviços é sempre importante. Embora a possibilidade da saída do INFARMED de Lisboa para o Porto tenha sido um bocado contestada e não aceite por todos, talvez seja uma forma de nós, no interior, sobretudo nos concelhos e vilas mais pequenas, usufruirmos de alguma vantagem que se os serviços estiverem em Lisboa o interior não pode ter. 

P- Que tipo de serviço público gostaria de ver na Mêda?

R- É muito importante a existência de todos os serviços no interior, independentemente de poderem vir novos serviços. A partir do momento que fecha um serviço público estamos a desmembrar cada vez mais essas pequenas vilas e cidades do interior. O nosso tribunal fechou, mas reabriu, embora não com todas as valências, mas já foi um primeiro passo. É bom que tenha reaberto e nota-se já outro movimento. No caso do Centro de Saúde, foi uma reivindicação nossa e conseguimos manter as urgências abertas até à meia-noite, pois inicialmente queriam fechar entre as 20 horas e as 8 horas. Não vai ser fácil, mas agora a nossa luta é que o SAP seja reaberto durante toda a noite. Neste momento temos o Espaço do Cidadão, mas queremos criar a Loja do Cidadão, que, em princípio, vai reabrir dentro de um mês nas instalações do tribunal junto a outros serviços públicos e poderá dar mais vida àquele espaço.

Perfil:

Presidente da Câmara da Mêda pelo segundo mandato consecutivo, depois de uma primeira experiência como vereador, as lides autárquicas não faziam parte dos planos de Anselmo Sousa. Licenciado em Humanidades, foi professor durante 23 anos e confessa que «sempre gostei de contacto com os jovens».

Na Escola Secundária da Mêda, onde deu aulas, acredita que deixou «saudades» e orgulha-se do trabalho que desenvolveu com os seus alunos, aos quais ainda hoje fala quando os encontra. Com 56 anos, Anselmo Sousa vê a política «não como uma profissão, mas como uma passagem» e admite que poderá «regressar» à vida de professor se deixar de ser presidente da Câmara. Uma recandidatura para um terceiro mandato não está para já na sua cabeça, por agora a sua preocupação é «fazer do atual mandato o melhor possível».

O edil da Mêda diz-se uma pessoa «simples» que gosta da «proximidade com as pessoas e de conviver com elas». Também «dedicado às causas sociais», é provedor da Misericórdia local há quase 20 anos. Orgulha-se da obra desenvolvida e destaca a criação de lares no município, vai já no terceiro, que contribuem para a economia local e para a criação de emprego. É fã de Fernando Pessoa, gosta de ler, «embora agora não o faça tanto como gostaria», e de «alguma» atividade física. Com um filho de 23 anos, é à família que dedica «todo o tempo disponível, que agora é pouco».


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