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Edição de 07-12-2017
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Secção: Editorial

Editorial
Gratidão editorial
Por: Luis Baptista-Martins
Tempo de leitura: 3 m
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2017 está a acabar e ao olharmos para trás vemos que este ano perdemos algumas das personalidades mais relevantes da nossa sociedade. Um amigo diz-me que essa perceção é uma forma de envelhecimento: com os anos vamos perdendo pessoas que nos são próximas ou figuras que fazem parte do nosso património de afetos, do nosso imaginário ou têm relevância na nossa contemporaneidade, o que não ocorria enquanto éramos jovens… Talvez!

Entre outros, perdemos Mário Soares, D. Manuel Martins, Américo Amorim, Belmiro de Azevedo e o músico Zé Pedro.

Neste espaço, homenageámos Mário Soares quando o maior político do nosso tempo desapareceu; agora aplaudimos o Zé Pedro, toda uma figura, que exibia a sua simplicidade e alegria em todos os palcos onde tocava, ele era o mais carismático integrante dos Xutos & Pontapés, a banda que todos vimos e ouvimos ao longo de quase 40 anos – e achámos que «A morte chega cedo/Pois breve é toda vida» (Fernando Pessoa).

E homenageamos Belmiro de Azevedo.

Num semanário ocorre muitas vezes termos de escrever sobre coisas que aconteceram há uma semana, pouco depois do fecho da última edição, e repetirmos tudo o que já foi dito. Ou quase. (Mesmo sendo certo que escrevemos diariamente em ointerior.pt).

Belmiro de Azevedo foi um grande empresário português, com dimensão internacional e negócios espalhados pelo mundo. O seu percurso, sabendo investir e sabendo gerir, com sucesso e sem depender dos negócios à sombra de interesses e amiguismo, sem comer à mesa do orçamento, sem tráfico de influências, sem “papas-na-língua” ou servilismo ao poder político, que ousou criticar, como poucos, fez do empresário um homem notável, no país das cunhas. Mas a minha admiração por Belmiro de Azevedo tem ainda uma outra dimensão: O “Público”.

Em 1990, o lançamento do “Público”, que Vicente Jorge Silva liderou e mudou completamente a paisagem editorial e jornalística em Portugal - foi um soco no estômago, foi uma lufada de ar fresco e foi uma revolução na informação. Em quase trinta anos, o jornal raramente deu lucro, mas Belmiro de Azevedo apoiou e sustentou a sua afirmação pela função social, cívica e democrática do “Público”. Esse espaço de liberdade, cultura e democracia, que deixa as contas no vermelho, temos de o agradecer ao empresário que assumiu os prejuízos sem se servir ou intervir editorialmente. No país das cunhas, dos interesses e das negociatas, poucos teriam essa capacidade, num mecenato que não tem outro retorno que não seja o de contribuir para uma sociedade mais culta, informada e democrática.

Não é habitual encontrar homens assim.

O Jornal O INTERIOR nasceu em 2000, agitando e mudando informativamente a região, com independência e rigor, com pluralismo e seriedade, porque José Luís Carrilho de Almeida percebeu e incentivou o projeto jornalístico que lhe foi apresentado e apoiou. Só os grandes homens percebem a dimensão social de um jornal e o seu contributo para a democracia e a liberdade.


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