Última Hora | RSS RSS | Arquivo | Ficha Técnica | Classificados | Inquéritos | Fórum | Futebol | Tempo | Farmácias | Publicidade | Newsletter | Pesquisa Avançada | Contactos | Área de Assinantes
Edição de 16-11-2017
Pesquisa:

Arquivo: Edição de 09-11-2017

Secção: Sociedade

Primeira audiência ficou marcada pelo depoimento de António Ferreira, militar da GNR que sobreviveu à trágica noite de 11 de outubro de 2016
Pedro Dias ainda não falou em tribunal
Por: Ana Eugénia Inácio
Tempo de leitura: 6 m
Bookmark and Share
Aumentar Tipo de LetraDiminuir Tipo de Letra

Julgamento do suspeito dos crimes de Aguiar da Beira prossegue esta semana no Tribunal da Guarda
Julgamento do suspeito dos crimes de Aguiar da Beira prossegue esta semana no Tribunal da Guarda  Clique na imagem para a aumentar.
Pedro Dias, suspeito dos crimes de Aguiar da Beira que ocorreram em outubro do ano passado, começou a ser julgado na sexta-feira, no Tribunal da Guarda, sob fortes medidas de segurança. O julgamento já tem mais de 20 sessões marcadas.

António Ferreira, o GNR que alegadamente foi baleado por Pedro Dias na noite dos crimes, foi a primeira testemunha a ser ouvida. Antes da audição que durou várias horas, o militar pediu, através do seu advogado, que Pedro Dias não estivesse presente na sala enquanto prestasse declarações devido «ao trauma» que aquela noite lhe causou. O tribunal e a defesa acederam e o arguido foi levado para outra sala, tendo assistido à audiência através de videoconferência. António Ferreira recordou a noite que lhe causou danos para o resto da vida. Descreveu que foi baleado pelas costas e que ainda hoje tem a bala alojada na cervical, pois, segundo o próprio, «os médicos têm medo de mexer», uma vez que está a «um milímetro de provocar lesões permanentes».

Pelos mesmos motivos, o militar da GNR, que fazia a patrulha com Carlos Caetano, que foi morto nessa noite, tem ainda hoje a sua mobilidade condicionada e não conseguiu estar muito tempo na mesma posição. Os danos causados a 11 de outubro não são apenas a nível físico, mas também psicológico, pois é acompanhado com regularidade por um psiquiatra e um psicólogo. António Ferreira afirmou que «não há dia nenhum que não pense nisso». A testemunha confessou que sentiu «a vida em perigo» naquela noite e recordou o momento em que foi obrigado a colocar o cadáver do seu colega Carlos Caetano na bagageira do carro patrulha. «Não há sentimentos que expliquem», disse.

Na trágica noite, o GNR recordou que se descolocaram em patrulha à zona do Hotel das Termas da Cavaca por ali terem ocorrido «alguns incêndios» nas noites anteriores. Aí encontraram uma carrinha Toyota e perante a «estranheza» de um veículo estacionado naquele local àquela hora, decidiram aproximar-se. No seu interior, Pedro Dias estaria a dormir do lado do condutor, tendo-lhe sido pedida a documentação. Durante a abordagem, e através de algumas comunicações do colega Carlos Caetano, foram informados pelo posto de Fornos de Algodres que se tratava de «uma pessoa perigosa» e que «devia ter uma arma». António Ferreira acrescentou que Pedro Dias, que até então lhe «pareceu sempre tranquilo», deverá ter ouvido esta comunicação e foi então que atingiu mortalmente o seu colega. Também ameaçado pelo suspeito, o militar da GNR que sobreviveu foi mais tarde levado no carro patrulha, preso por algemas à pega do lado do “pendura”. Pouco depois, o veículo parou junto a um pinhal onde o arguido lhe terá ordenado que se algemasse a um pinheiro, acabando baleado pelas costas. Durante a audiência, António Ferreira afirmou nunca antes ter visto Pedro Dias, tal como o seu colega.

Familiares das vítimas pedem justiça

Embora a advogada de Pedro Dias, Mónica Quintela, já tenha garantido que o seu constituinte vai falar em julgamento, ainda não se sabe quando. Quer na sexta-feira, quer na terça-feira, dia da segunda sessão, o arguido escusou-se a prestar declarações. Anteontem foram ouvidas os familiares do casal que terá sido assassinado por Pedro Dias na mesma madrugada.

Maria de Fátima Lino, mãe de Liliane Pinto, que acabou por falecer cerca de meio ano após ter sido alvejada, olhou fixamente para Pedro Dias quando entrou na sala de audiência. Recordou que naquela madrugada o casal seguia para uma consulta em Coimbra e que era costume levarem entre 300 a 500 euros. Dinheiro que desapareceu do carro, tal como os telemóveis das vítimas. Também Virgínia da Conceição Pinto, mãe de Luís Pinto, prestou declarações e lembrou que se tratava de um casal «feliz». À espera de justiça, João Paulo Matias, advogado das duas famílias, pede «a pena máxima que o nosso sistema permite, que são os 25 anos de pena efetiva. Não esperamos menos que isso», acrescentando que só assim «será uma pena exemplar para o arguido».

Durante a tarde de terça-feira foi ouvido, por videoconferência, António Duarte, sequestrado em casa, em Arouca, durante a fuga de Pedro Dias. A testemunha contou ter ouvido um grito de Lídia da Conceição e dirigiu-se a casa «para perceber o que se passava». Quando abriu a porta, «ele tinha a arma apontada a mim», recordou. O morador de Moldes referiu várias vezes que Pedro Dias «nunca» o agrediu e que o colocou, juntamente com Lídia da Conceição, num quarto, onde foram amarrados. Mais tarde o arguido abandonou o local e terá levado o carro, o telemóvel e o relógio de António Duarte. Referiu que não se recordava se Pedro Dias fez alguma referência ao que se passou na madrugada de 11 de outubro, mas foi confrontado com as suas declarações à Polícia Judiciária, após a detenção de Pedro Dias, em que contou que o arguido se referiu aos homicídios que tinha cometido dizendo «agora se eu quisesse eram mais dois, (…) matar mais dois ou três é igual».

António Duarte respondeu que estava «baralhado» e que não se lembrava, mas acabou por afirmar que tinha «uma vaga ideia» das alegadas palavras do arguido. Pedro Dias é acusado da prática de três crimes de homicídio qualificado sob a forma consumada, três crimes de homicídio qualificado sob a forma tentada, três crimes de sequestro, crimes de roubo de automóveis, de armas da GNR e de quantias em dinheiro, bem como de detenção, uso e porte de armas proibidas.

Indeminização rondam os 700 mil euros

Para Pedro Proença, o advogado representante dos militares da GNR, o depoimento de António Ferreira é «uma prova muito sólida e consistente» e juntamente como «uma investigação criminal exemplar», permitem «ter clareza» sobre tudo o que se passou.

Devido ao trauma e às lesões físicas de que António Ferreira padece, uma «situação de perigosidade clínica elevada», Pedro Proença adiantou que é pedida uma indemnização de 70 mil euros, recordando que «qualquer movimento pode deslocar a bala que ele tem alojada na coluna», o que o põe em risco de vida. Para os familiares de Carlos Caetano, que faleceu em «circunstâncias traumáticas», a indeminização pretendida é de 250 mil euros. No total, o valor das indeminizações a todos os lesados ronda os 687 mil euros.


Votar:
Resultado:
45 Votos
Imprimir Artigo
Enviar por Email
Comentário Privado
Comentário Publico
Adicionar Favoritos

Diga o que pensa sobre este artigo. O seu comentário será publicado online após aprovação da redacção.

Comentários Nome
Email
Código de VerificaçãoInsira os algarismos da figura
Anónimo
MEO Kanal 401262
© 2009 O Interior | Rua da Corredoura, 80 - R/C Direito C - 6300 Guarda | Telefone geral: 271 212 153 - Publicidade: 271 227 349 - fax: 271 223 222
Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.