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Edição de 16-11-2017
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Arquivo: Edição de 19-10-2017

Secção: Editorial

Editorial
Cem mortos
Por: Luis Baptista-Martins
Tempo de leitura: 3 m
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Quatro meses depois do incêndio do Pedrógão Grande que matou 65 pessoas, mais 40 vidas perdidas para o fogo. Tristes e atordoados, estamos de luto, mas devíamos estar na rua a reclamar, a exigir condições básicas de segurança, num país onde viajar ou estar em nossa casa passou a ser perigoso. E mais ainda quando ouvimos um secretário de Estado dizer que temos de tomar conta de nós porque o Estado é incapaz de o fazer.

Os incêndios do fim-de-semana voltaram a mostrar as nossas fragilidades, a nossa pobreza e a nossa incapacidade para respondermos adequadamente perante uma catástrofe.

Com o anúncio de que as chuvas deveriam chegar esta semana, muitos decidiram fazer as queimadas habituais. Os pastores queimaram o pasto seco, para que com as primeiras chuvas a erva rebentasse e crescesse depressa. Os agricultores, como de costume, queimaram os restos de plantas, das podas, das silvas, os arbustos, para renovarem a terra. E se há uns anos todas estas operações eram vigiadas de perto por guardas-florestais, guarda-rios e militares da GNR, agora faz-se tudo à revelia das regras, à “socapa”, ao domingo, fugindo ao controlo das autoridades e às restrições legais (como ocorreu em Santo Estêvão, Sabugal, com a morte de um homem no meio da “sua” queimada). Ninguém pensa nas consequências… E as consequências foram as que todos sabemos: mais de 500 ignições num dia, no fim de um verão historicamente quente e seco, com temperaturas anormalmente altas para outubro e uma semana depois da fase “Charlie” ter acabado. Como é óbvio, a desresponsabilização de todos leva-nos a afirmar categoricamente que foi tudo “mão-criminosa” (que a há), mas a maioria das ignições são o resultado de acidentes e negligência.

2.Os “mais de 100 que não chegaram aqui” exigiam-no, disse o Presidente da República sobre a intervenção mais esperada do mandato. E acrescentou: «A Assembleia tem de clarificar se quer ou não manter o Governo em funções». Não houve meio-termo, Marcelo disse tudo. A partir de agora não há desculpas.

Foi brutal o Presidente dos afetos? Foi. Os afetos ficaram só por conta do local que escolheu para falar: Oliveira do Hospital, terra castigada com o maior número de mortos (nove) e que ficou reduzida a cinzas. Caiu uma ministra que parecia inimputável, mas é todo o sistema que tem de ser revisto.

3. Por tudo o que se tem passado, contra o abandono do interior, pelo povoamento dos territórios ostracizados, pelas vítimas dos incêndios, pela natureza, pela vida, é hora de sair á rua, de protestar, de abandonar a zona de conforto e defender o meio ambiente e a nossa comunidade. É isso que os cidadãos estão a começar a fazer, num país em que o Estado não nos soube proteger, onde cobardemente todos criticamos à mesa de café ou nas redes sociais, mas ninguém sai à rua a lastimar a inimputabilidade dos responsáveis (na Galiza, mal os incêndios se apagaram, e enquanto enterravam os quatro mortos, milhares saíram à rua a exigir medidas contra o fogo, entre nós este verão morreram mais de 100 pessoas nos fogos e só agora acordamos coletivamente para o abandono a que há muito fomos votados). É tempo de clamar por mudanças, de exigir políticas de coesão territorial, de desenvolvimento rural, de investimento no interior, de dizer basta! Porque queremos ter um futuro sustentável!


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Comentários dos nossos leitores
ArturScpinto1067@aeiuo.pt
Comentário:
Acredita mesmo que foi apenas as queimadas!? Investiguem, porque segundo se consta existiu gente de responsabilidade civil que recebeu sms a informar onde iam ocorrer ignições
 

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