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Edição de 07-12-2017
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Arquivo: Edição de 05-10-2017

Secção: Editorial

Editorial
O povo é soberano
Por: Luis Baptista-Martins
Tempo de leitura: 4 m
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1. O país foi a votos, e o rosa pintou o mapa como nunca, enquanto o laranja perdeu cor, perdendo votos, câmaras e freguesias que eram suas de sempre. O PCP perde dez autarquias para o parceiro de “geringonça” e o Bloco continua a ser marginal na vida autárquica. E, enquanto o CDS se renova e “ameaça” a hegemonia do PSD à direita, os dinossauros foram exterminados – nomeadamente com as derrotas humilhantes de Narciso Miranda, em Matosinhos, e de Valentim Loureiro, em Gondomar. Todos não, que Isaltino Morais foi eleito em Oeiras: o concelho com maior percentagem de licenciados e maior poder de compra do país elegeu um ex-condenado por delitos no cargo. Se fosse no interior, as elites de Lisboa diriam que era um epifenómeno da ruralidade e do atraso endémico da província, como foi na “Linha”, é uma vitória de um “dinossauro” que não soube explicar as contas do sobrinho e que regressa da prisão para mostrar que o poder resulta da vontade do povo.

2. Na região, como aqui escrevi há uma semana, a maioria dos autarcas foi reeleita. Em Celorico da Beira, como aqui antecipámos, o regresso de Júlio Santos tirou votos ao PS e permitiu a Carlos Ascenção (PSD) ganhar as eleições. O eleito é um dos grandes vencedores da noite, mas terá agora de negociar com Júlio Santos, eleito vereador, ou com José Albano para procurar uma solução governativa. O mesmo sucederá na Mêda, onde Anselmo Sousa (PS) foi reeleito, mas precisará de novo do PSD (um vereador) para ter maioria. Em Manteigas, uma vez mais, a “rotatividade” aconteceu e Esmeraldo Carvalhinho (PS) volta à liderança do município.

3. Na Covilhã, Carlos Pinto (outro “dinossauro” que caiu) conseguiu mais de cinco mil votos (18%) e, assim, foi eleito vereador, um resultado pouco consolador num concelho onde a surpresa foi o crescimento do PS que (re)elegeu Vítor Pereira por maioria absoluta. Adolfo Mesquita Nunes conquistou mais de 15% dos votos, ficando aquém das suas expetativas mas muito acima dos resultados habituais do CDS e, por isso, também foi um vencedor na Covilhã, onde Marco Batista (PSD) foi humilhado com um resultado (7%) que nem o desastre da candidata laranja em Lisboa pode atenuar (ligeiramente acima da CDU (6%).

4. E o grande vencedor das autárquicas 2017 foi Álvaro Amaro. Contrariando a onda rosa que “varreu” o país (ou quase), o candidato à reeleição na Guarda teve não apenas o melhor resultado de sempre para a Câmara Municipal da Guarda (61%), com 14.476 votos, mais 2.254 do que há quatro anos, como superou de forma inequívoca o próprio resultado do PSD para a Assembleia Municipal (55% e 13.183 votos) ou na freguesia da Guarda onde Álvaro Amaro conquistou 7.928 votos (59,98%) enquanto a candidatura do PSD à Junta de Freguesia se ficou pelos 7.232 votos (54,73%) – acabando assim com o “mito” de que na freguesia João Prata tinha mais votos do que Amaro… 700 votos que serão recordados na futura discussão pela sucessão de Amaro.

Depois de 36 anos de poder, os socialistas andaram quatro anos à deriva, quatro anos de uma oposição medíocre e sem orientação, que permitiu ao PSD engendrar o seu plano de assalto às freguesias socialistas e dominar todo o palco político da Guarda. Quatro anos em que os vereadores do PS nunca perceberam qual o seu papel e como aproveitar as fragilidades do executivo, e havia muitas. Quatro anos depois, Eduardo Brito, sozinho, ou com uma lista “renovada” mas sem quadros qualificados, nem intérpretes capazes de defender uma ideia para além dos lugares comuns da campanha (como é possível que uma das propostas relevantes, a criação de uma moeda virtual, o “Sancho”, tenha sido ridicularizada sem que ninguém tenha vindo a público defender as virtudes do projeto? Ou sequer tentado esclarecer o óbvio, que os info-excluídos vexavam por manifesto analfabetismo digital? Ou ninguém, tenha tentado explicitar a ideia de cidade digital, uma proposta relevante que aliás Álvaro Amaro deve adotar como estratégia, natural, para o desenvolvimento da Guarda, porventura até em parceria com a Covilhã e o Fundão que já abraçaram esse caminho – do que a candidatura socialista nem deu conta?). Enfim, o PS com uns inexpressivos 23% dos votos conseguiu manter os dois mandatos mas sofreu uma derrota humilhante, para a Câmara e para a Assembleia Municipal (26%). Nos próximos dias, as noites das facas longas estarão de regresso à sede dos socialistas da Guarda, com criticas à liderança da concelhia, à débil estratégia de Eduardo Brito, à péssima lista apresentada e à falta de competência da candidatura. Mas os “críticos” poderão repetir ad nauseam os seus argumentos e disparar à vontade, porque, de facto, à hora da verdade, nenhum se chegou à frente e foi preciso Brito vir de Seia para tentar salvar o PS do naufrágio anunciado - que não pode agora ser maquilhado pelos que se esconderam atrás do sol à espera de 2021.


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