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Edição de 19-10-2017
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Arquivo: Edição de 10-08-2017

Secção: Em Foco

Por estes dias, as ruas da cidade ganham vida com a chegada dos emigrantes que, durante décadas, alavancaram a economia da região
Emigrantes já não são “balão de oxigénio” para o comércio da Guarda
Por: Sara Guterres
Tempo de leitura: 4 m
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Lojistas queixam-se que os emigrantes já «não têm poder de compra»
Lojistas queixam-se que os emigrantes já «não têm poder de compra»  Clique na imagem para a aumentar.
Verão não é apenas sinónimo de sol e calor. Significa também o regresso para férias daqueles que foram obrigados a abandonar o seu país em busca de melhores condições de vida. Em agosto, as ruas da Guarda estão cheias de emigrantes e com eles vem a esperança para os comerciantes de aumentarem as receitas e melhorarem o negócio.

Apesar das dificuldades, a Guarda continua a ser uma das cidades do interior onde as lojas de rua vão subsistindo. Mas, contrariamente ao que muitos poderiam pensar, o poder de compra dos emigrantes já não é o mesmo e hoje são poucos os lojistas que esperam obter lucro nesta altura do ano. Do centro histórico ao Jardim José de Lemos, o percurso é longo e são várias as lojas que encontramos pelo caminho. Umas mais movimentadas do que outras, mas quase todas elas com algo em comum: a ausência de compradores. Aparentemente bem localizada no centro da cidade, e a convidar as pessoas que ali passam a entrar, a Eva comercializa calçado e acessórios. Apesar da evidente movimentação por esta altura, a proprietária confirma que os emigrantes «não têm o poder de compra que tinham há uns anos»: «Não posso dizer que vendo mais durante estes meses. De facto, há emigrantes pelas ruas, mas os que aqui entram é só para ver e não para comprar», lamenta Manuela Cunha.

Embora haja um ou outro emigrante que é cliente sazonal do estabelecimento, a lojista garante que «não há um aumento considerável das vendas, até porque, além da maioria dos emigrantes não comprar, o meu cliente habitual, que são as pessoas da Guarda e arredores, está de férias nesta altura». A isso acresce a abolição do período fixo de saldos que, para Manuela Cunha, é um «fator negativo» para o comércio local: «Saímos prejudicados porque basta duas ou três marcas grandes começarem com promoções para nós termos que ir atrás. Se não o fizermos não vendemos», afiança a proprietária, acrescentando que os emigrantes quando chegam «querem saldos e promoções». «Por vezes ainda estamos a receber artigos da nova coleção, mas temos que começar a saldar ou a fazer promoção muito mais cedo do que era expectável», refere.

Na Rua do Comércio há lojas dos dois lados e entre elas está a “Império da Moda”. Desde fatos para batizados a vestidos para casamentos, a procura tem vindo a decrescer nos últimos anos e, segundo Delfina Ambrósio, empregada e filha da proprietária da loja, os emigrantes estão menos recetivos às compras e acabam por adquirir «apenas o essencial»: «A nível de preços procuram o mais barato e já não compram como antes. Há uns anos tudo estava bem, gastar era ótimo, mas hoje há uma contenção muito grande», afirma a lojista. Para Delfina Ambrósio, esta moderação deve-se ao facto de a vida estar «um bocadinho cara em todos os países» e apesar de «ganharem mais, a verdade é que as despesas também são superiores».

De todos os lojistas, Glória Cabral foi a única que falou numa procura acentuada por parte de emigrantes nesta época do ano. Não é comerciante, mas está a substituir a proprietária da loja Soul Free, na Praça Velha, e assegura que têm «vendido muito bem». «Agora há realmente muita procura. Os emigrantes, ou até mesmo visitantes estrangeiros, vêm até à esplanada, acabam por entrar e comprar», revela.

Acessos e estacionamento também são problema

Na zona histórica da cidade, mais concretamente na Rua Francisco de Passos, a conversa é outra. A ausência de emigrantes é evidente, mas por razões diferentes. Quem o diz é Manuel Correia, proprietário de uma loja de produtos alimentares, e Marília Renca, dona do talho Reduto. Ambos têm os seus estabelecimentos naquela rua e concordam numa coisa: os acessos são complicados e há falta de estacionamento.

«As pessoas chegam ao início da 31 de Janeiro, por exemplo, e ao não poderem ir para a Rua Direita nem para a Rua do Comércio, seguem para as traseiras da Sé», elucida Manuel Correia, adiantando que naquela zona não há estacionamentos «nem a pagar, nem a esperar»: «Quem não é de cá vai para o Fundão, Covilhã ou Castelo Branco. Já não fica na cidade», garante o comerciante. «Ainda por cima resolvem cortar a Rua Francisco de Passos até meio com esplanadas. Ao fim e ao cabo seria por aqui que os carros podiam transitar e arranjar estacionamento», explica Marília Renca, segundo a qual «as pessoas não conseguem vir para aqui porque nem sequer percebem como se vem».


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