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Edição de 16-11-2017
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Arquivo: Edição de 13-07-2017

Secção: Opinião

Opinião
Circo em vez de pão
Tempo de leitura: 3 m
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Tancos e Pedrogão, diz o Partido Comunista, devem-se à austeridade. Deixou de haver investimento em manutenção e vigilância, nos paióis do exército como na floresta. Neste caso, pode muito bem ter razão o Partido Comunista. Cortou-se às cegas e, muitas vezes, mal. A falta de sapadores florestais ou de vigilantes da natureza, ou dos antigos guardas florestais, ou de aviões de combate a incêndios, ou ainda de um sistema eficaz de videovigilância, são explicações mais simples e diretas para a tragédia de Pedrógão ou o desastre de Tancos do que os rumores de corrupção ou a incompetência politicamente sancionável de quem estava no terreno.

Posto isto, seria natural que alguma folga financeira servisse em primeiro lugar para acorrer ao essencial. Seria até lógico que o dinheiro disponível para futilidades fosse utilizado em coisas importantes (e como compreender que num estado de emergência como o nosso se desperdicem recursos em futilidades?). Seria, por exemplo, compreensível que a despesa da “Noite Branca”, na Guarda, não tivesse sido feita e que o dinheiro tivesse sido encaminhado, com menos aparato e mais sentido das responsabilidades, para a amortização de uma pequena parte da enorme dívida à Águas de Portugal. O mesmo para o custo exorbitante do embelezamento de alguma das rotundas da cidade. O mesmo ainda para o que se gastou neste mandato a cortar árvores desnecessariamente pela cidade, mostrando ao mesmo tempo uma perigosa insensibilidade e ignorância perante alguns dos maiores problemas do nosso tempo. Em todos estes casos, melhor teria sido pagar a água!

É surpreendente que a oposição não faça o seu trabalho. Quando o presidente da Câmara, na última Assembleia Municipal, revela que «neste mandato foram pagos 5,4 milhões de euros em “factoring” dos Serviços Municipalizados» ou que «a Águas do Vale do Tejo ainda não informou oficialmente do valor da dívida» (estou a citar este jornal, na edição da semana passada) havia que exigir explicações detalhadas: andaram os SMAS a vender faturas, financiando-se por isso à custa dos munícipes? Os 5,4 milhões de euros são o custo financeiro das operações de factoring? E com ou sem seguro de crédito? E qual a justificação para o recurso ao factoring? A Águas de Portugal (ou Vale do Tejo, é a mesma empresa) não emite facturas (ou documentos equivalentes) onde consta o montante exacto da dívida? Os SMAS não vão controlando a conta-corrente com a Águas de Portugal?

Estas perguntas não são irrelevantes. É que se os SMAS têm pago despesas de factoring é porque se têm financiado por conta de receitas futuras e, se mesmo não se pagando à Águas de Portugal os fornecimentos desta ao concelho, é necessário financiamento, se a dívida à Águas de Portugal está descontrolada, então é porque se passa alguma coisa de muito preocupante nas contas do SMAS, ou nas da Câmara. Tão preocupante que mais valia não gastar tanto dinheiro em actividades ou obras que, genericamente, podemos qualificar como “circo”.

Por: António Ferreira


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