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Edição de 19-10-2017
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Secção: Espaço Público

Espaço Público - Do Leitor
Resposta a Acácio Pereira: Apresento-lhe a UBI
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Acácio Pereira escreveu um artigo de opinião, neste jornal, intitulado de “A UBI tem de sair da Covilhã”. Bem, se ignorarmos a notável conotação odiosa, até podemos discutir alguns dos argumentos realmente pertinentes que colocou em cima da mesa.

O autor afirmou que o ensino superior na Beira Interior caminha para o seu «definhamento», teoria que diz ser corroborada pelas «vagas por preencher e as muitas só preenchidas como recurso». A falta de atenção e de conhecimento levam-no à generalização fácil. Em contexto de diminuição do número de colocados, a UBI é a instituição do arco interior do país com maior aumento do número de alunos, preenchendo 90% das vagas na primeira fase do concurso nacional de acesso desde 2015. Ao passo que outras universidades têm perdido estudantes, a academia beirã tem superado as adversidades e conseguiu, no espaço de um ano, entrar em três rankings da Times Higher Education para as melhores universidades da Europa e do mundo (a UBI a «sair da Covilhã»).

Comparar a UBI ao IPCB (67.5% de vagas preenchidas) ou ao IPG (41.3%) é intelectualmente desonesto. Mais não seja porque se tratam de dois subsistemas de ensino distintos, bem como pelo facto da primeira ter um crescimento positivo, contrariamente aos segundos. O IPCB passou de 4.671 alunos, em 2009, para 3.546, em 2015. Já o IPG, por sua vez, sofreu uma queda de 3.117 para 2.630 alunos no período homólogo. Apenas a UBI conseguiu aumentar os alunos matriculados e, em 2015, as candidaturas até ultrapassaram o número de vagas a concurso – em grande parte, graças a alunos estrangeiros.

É óbvio que existe um problema de repetição da oferta formativa. Mas a duplicação de cursos não pode servir de pretexto para impedir a cooperação interinstitucional. O diálogo e a criação de polos especializados são a melhor estratégia para superar as adversidades da interioridade e a solução passa precisamente pelo exemplo do consórcio entre a Universidade do Minho, Porto e UTAD. No entanto, isso não se faz, como o presidente do SCIF-SEF sugere, integrando o IPCB e o IPG na UBI só para evitar o seu «definhamento». Não. A UBI não pode ser o escape para o declínio de uns; tem que ser uma parte interessada e complementar num projeto integrado e com visão estratégica. Os politécnicos têm que ter interesse em cooperar com a UBI porque têm algo de diferente para oferecer ao ensino superior e isso beneficiaria todos por igual, conferindo escala à região – não somente para garantirem a sua própria sobrevivência e adquirirem um poder que a capitalidade não lhes conferiu. O IPG e o IPCB são demasiado importantes para serem tratados como “os elos mais fracos”. O que falta é capacidade de aprofundar a binariedade (e não de tentar acabar com a dicotomia ensino universitário/ politéncico) e de potenciar as especialidades e valências de cada um, em vez do discurso derrotista que só menoriza uma das partes. Tenhamos orgulho de quem somos e de onde vimos.

Por fim, quando se fala em «a UBI ter que sair da Covilhã», talvez se argumente uma atuação e projeção fora da cidade-campus. Relembremo-nos, então, que a UBI tem dezenas de projetos com concelhos vizinhos (sim, não é só com o Fundão, mas com a Guarda e Castelo Branco – entre 2013 e 2017, a universidade assinou 182 protocolos com entidades públicas e 358 com empresas privadas, articulou-se com o IEFP, inaugurou o UBIMedical e acolheu o Centro Académico Clínico das Beiras) e que, ao contrário do subsistema politécnico, não se suporta na preferência regional: adotou uma estratégia de internacionalização que, como supramencionei, fez com que grande parte dos seus estudantes não sejam sequer provenientes da região. Não se pode defender uma solução imposta “de cima”, por políticos, quando caminhámos décadas na defesa da autonomia institucional e académica. Não fica bem impor uma decisão baseada num método autocrático quando almejamos uma maior auscultação da sociedade e dos indivíduos no processo de tomada de decisão. As revoltas estudantis e o progresso civilizacional não podem voltar atrás.

Por: Hugo Lopes*

*Presidente da Comissão Permanente do Conselho Municipal da Juventude da Covilhã e líder da Distrital da JSD de Castelo Branco


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