Última Hora | RSS RSS | Arquivo | Ficha Técnica | Classificados | Inquéritos | Fórum | Futebol | Tempo | Farmácias | Publicidade | Newsletter | Pesquisa Avançada | Contactos | Área de Assinantes
Edição de 19-10-2017
Pesquisa:

Arquivo: Edição de 15-06-2017

Secção: Opinião

Anotações
A propósito da Feira de São João
Tempo de leitura: 3 m
Bookmark and Share
Aumentar Tipo de LetraDiminuir Tipo de Letra

Um dos cartazes da Guarda, durante largas décadas, foi a feira São João, que desempenhava um importante papel de dinamização económica e social, integrando um conjunto de certames com forte projeção regional.

A feira anual de São João, que ocorre no dia 24 de junho na Guarda, foi criada em 1255 por carta régia de D. Afonso III; este documento estabelecia, como assinalou a historiadora Virgínia Rau, que «devia começar oito dias antes da festa de S. João Baptista e durar quinze dias. Todos os que viessem à feira com as suas mercadorias estariam seguros e isentos de penhora durante trinta dias».

No decorrer da segunda dinastia a feira de São João continuava a registar grande importância e no século XV era costume os «criadores e lavradores de Castelo Branco e do seu termo levarem os gados da sua criação para venda na feira da Guarda».

Nos finais do século XIX a cidade enchia-se muitos dias antes de «grande quantidade de forasteiros» e não faltavam, pelas principais artérias, as «costumadas fogueiras com danças e cantos». O teatro, os concursos de gado e as touradas constituíam alguns dos pontos de atração do cartaz citadino, nesses dias de enorme agitação festiva e de muitas transações comerciais.

A viagem de comboio até à Guarda era incentivada com significativas reduções nos preços, oportunidade aproveitada por numerosas pessoas, que engrossavam a multidão de visitantes espalhados por todos os cantos da cidade.

Este quadro, festivo, comercial e religioso – componente que também não faltava – repetiu-se, com mais ou menos cambiantes, durante décadas, deixando um inquestionável impacto na vida da cidade.

Aliás, a própria Câmara Municipal da Guarda deliberou, em julho de 1954, solicitar ao Governo a «necessária autorização para considerar como feriado municipal no concelho da Guarda o dia 24 de junho de cada ano».

O executivo municipal de então argumentava que os festejos de São João «desde tempos imemoriais atingem proporções de relevo», sendo por isso considerado «dia festivo em toda a região»; por outro lado, a Câmara Municipal aduzia a realização da «importante feira anual de S. João, reputada a de maior expansão e amplitude da região por a ela acorrerem com os seus produtos e gados as populações de toda a região beirã e até transmontana»; a estas razões acrescentava-se ainda a intenção de o dia passar a figurar no período das «futuras Festas da Cidade» da Guarda.

O médico e escritor Ladislau Patrício (o terceiro diretor do Sanatório Sousa Martins) anotava, numa das suas obras, que «nas vésperas do dia 24 de Junho, noite e madrugada, é contínuo o formigueiro de feirantes, a pé, a cavalo, em carroças e em carros de bois, tropeçando nos calhaus soltos dos caminhos impérvios, ou batendo o macadame das estradas poeirentas e brancas».

Embora seja de sublinhar o contributo dado por interessantes iniciativas de recriação e animação da data referenciada, que podem e devem coexistir com o certame propriamente dito, a feira de São João deveria ganhar novo fôlego e, à semelhança de outras realizações que ocorrem um pouco por todo o país, afirmar-se no calendário anual com a sua identidade e a renovação consentânea com os tempos de hoje.

Por: Hélder Sequeira


Votar:
Resultado:
35 Votos
Imprimir Artigo
Enviar por Email
Comentário Privado
Comentário Publico
Adicionar Favoritos

Diga o que pensa sobre este artigo. O seu comentário será publicado online após aprovação da redacção.

Comentários Nome
Email
Código de VerificaçãoInsira os algarismos da figura
Anónimo
MEO Kanal 401262
© 2009 O Interior | Rua da Corredoura, 80 - R/C Direito C - 6300 Guarda | Telefone geral: 271 212 153 - Publicidade: 271 227 349 - fax: 271 223 222
Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.