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Edição de 19-10-2017
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Arquivo: Edição de 27-04-2017

Secção: Editorial

Editorial
Guarda amordaçada
Por: Luis Baptista-Martins
Tempo de leitura: 4 m
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1. Comemorar Abril é recordar a Revolução dos Cravos, mas é também, e essencialmente, recordar a mudança de regime, o fim do fascismo em Portugal, o início da Democracia e a afirmação da Liberdade – das muitas conquistas de Abril, a liberdade de expressão foi porventura a mais expressiva e relevante, ainda que, hoje, por parecer tão óbvia e natural, nem nos passa pela cabeça que houve um tempo, há 43 anos, que não existia, que não podíamos falar do que queríamos, que não podíamos discutir ideias ou ter opinião. Precisamente por isso, ao comemorarmos Abril devemos refletir sobre as conquistas, mas também sobre a fragilidade da Democracia e que os valores, liberdades e garantias tão óbvios e assimilados na sociedade de hoje, são ao mesmo tempo tão frágeis e débeis perante o poder e os pequenos déspotas e tiranetes que pululam por aí e procuram amordaçar as liberdades. Enquanto celebramos devemos estar atentos e vigilantes. Viva a Democracia!

2. No final de julho de 2016 (edição nº 866), titulámos em primeira página: «Câmara da Guarda gasta meio milhão de euros em rotundas». Surpreendentemente, a Câmara da Guarda publicou então um comunicado vil e ignóbil na sua página “oficial” do Facebook, assinado cobardemente pelo “Executivo” (o que pressupõe que os vereadores do PS são co-autores do comunicado) atacando O INTERIOR e, entre outros impropérios, qualificando o jornal de mentiroso. Dias depois, o presidente da Câmara, enquanto inaugurava a ornamentação das rotundas («gostem ou não»!), exibiu uma fotocópia da referida primeira página ao mesmo tempo que garantia que «não se gastou meio milhão de euros» na intervenção. Segundo Álvaro Amaro, esta obra – a requalificação das rotundas e zonas envolventes – custou «445 mil euros» (o que está muito longe de meio milhão, certo?). Na semana seguinte, fizemos o nosso trabalho e publicámos informação sobre todos os contratos (adjudicações diretas) e respetivos valores publicados no portal Base, onde, no cumprimento da lei, são publicados todos os contratos públicos: o total da empreitada 497 mil euros, IVA incluído. Afinal o título foi exagerado… a obra custou menos de 500 mil euros! Viva a verdade!

3. Por altura do Dia da Cidade (26 de Novembro), numa reflexão sobre o presente e futuro da cidade, apresentei o meu desapontamento face às opções da Câmara da Guarda, enquanto motor e mobilizador do desenvolvimento do concelho. Uma reflexão que versava sobre a desilusão que se apoderava de nós, abstratamente, por vermos que tudo era uma aposta fátua, momentânea e sem sustentação que assegurasse futuro aos nossos filhos. Era a minha Opinião. Era o exercício da liberdade de expressão.

Como no “tempo da outra senhora”, o presidente da concelhia do PSD-Guarda, publicou na página “oficial” do partido no Facebook (partilhada pela JSD local) um comunicado indigente onde, além de pretender silenciar-me, me acusava de «quartar» direitos e liberdades. Supondo que se Luís Aragão pretendia prestar um serviço ao Chefe (dr. Amaro) devia ter pedido a alguém para lhe escrever (ou corrigir) o comunicado porque, ainda que eu não tome o todo pela parte, é infame que o partido que foi de Sá Carneiro, Pinto Balsemão ou Marcelo Rebelo de Sousa e de tantos militantes ilustres e amantes da liberdade e da liberdade de expressão, tenha um porta-voz que queira de forma espúria coartar o meu direito de Opinião. Posteriormente, o mesmo moço de recados do dr. Amaro terá feito outros comunicados do género que me dispenso de ler, porque ler é liberdade, mas ler textos indigentes e obtusos é estupidificar.

Entretanto, a Câmara da Guarda, que gasta milhares de euros em propaganda e paga milhares de euros em publicidade à RTP, à SIC ou à TVI, ou a jornais nacionais, que contrata pequenos anúncios aos demais jornais da Guarda e se publicita nas rádios da cidade para promover os eventos e promover simpatias para com o senhor presidente da Câmara, não contrata publicidade no jornal de maior tiragem, maior circulação e maior audiência do distrito da Guarda: O INTERIOR. A liberdade de imprensa é muito cara e o senhor presidente da Câmara da Guarda sabe que, mesmo contrariando a lei e a Constituição, discriminar um jornal onde há liberdade de opinião é tirar o pão da boca a quem precisa de comer. É amordaçar! Viva a Liberdade!


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