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Edição de 27-04-2017
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Secção: Opinião

Anotações
O Rádio
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O Rádio continua, apesar das profundas transformações originadas pela evolução técnica e quadros normativos, a ter um papel de relevo na sociedade hodierna; é um meio de difusão rápida, assegurando informação e entretenimento.

Este meio, o Rádio, chega ao seu público de um modo informal, com a receção hoje muito facilitada face à multiplicidade de aplicações que permitem a sintonia permanente, se assim desejada pelos destinatários. O Rádio (utilizamos o masculino, pois como escreveu João de Araújo Correia, «a Rádio é aleijão linguístico. Pode a Filologia justificá-lo, considerando-o redução de radiotelefonia, radiofonia ou radiodifusão (…). É indispensável respeitar-lhe o género com que nasceu. Rádio, elemento de radiofonia, é masculino») na simbiose com a internet assume uma “dimensão globalizada”, alterando radicalmente os parâmetros associados, no passado, a este meio de comunicação. Alguns investigadores desta mudança têm mesmo questionado se o Rádio na web pode ser identificado como tal, sublinhando que «por não ser mais exclusivamente auditivo, o rádio sofre um processo de descaraterização» em relação ao veículo convencional. «O rádio emite som, rádio na web emite som, texto e imagem. Emite ou disponibiliza?»…

Julgamos que o Rádio, como o Jornal ou a Televisão, tem de assumir e acompanhar a evolução tecnológica e ajustar conceitos, sem perder de vista a sua função social. Como escrevemos nesta coluna, no passado mês de fevereiro, em Portugal a audiência radiofónica, diária, é na ordem de 4,9 milhões de pessoas, o que traduz a importância deste meio e a sua forte implantação.

Ao longo do dia, o fluxo informativo – reforçado, em larga medida, pelas redes sociais – contribui para a oscilação do número de ouvintes, a não ser que haja espaços âncora de fidelização contínua; aliás, esta é uma das frentes onde o Rádio deve estar permanentemente apostado, afetando os indispensáveis recursos humanos e técnicos.

Mesmo em períodos de programação automatizada (e pensando em especial nas emissoras locais) a presença nessas plataformas não deve ser descurada, pois permitirá a atualização ou esclarecimento oportuno; quer em termos de outros espaços e conteúdos, quer ao nível do quadro informativo regional. Esse trabalho funcionará, claramente, com referência explícita para a oferta programática, com todas as vantagens daí resultantes. Nomeadamente para o incremento do número de ouvintes, dados que são relevantes ao nível da argumentação junto de potenciais anunciantes. Não esqueçamos que, pelas suas características, os valores numéricos da audição dos programas oscilam em função dos interesses específicos dos ouvintes, da sua formação ou atividade.

O trabalho numa estação emissora, à semelhança do que ocorre nos outros media, é hoje muito mais exigente pela necessidade de resposta às solicitações do seu público e às implicações resultantes dos horizontes abertos pelas novas plataformas de difusão. Perante esta nova realidade é preciso que não se esqueça a qualidade do produto radiofónico. A qualidade mercê da pressão diária e da multiplicidade de canais informativos – que importa equacionar e gerir – pode ser prejudicada em favor da quantidade de informação, se não houver a adequada triagem e validação.

Convém ter presente que as novas tecnologias de informação e a massiva utilização das redes sociais tem permitido a difusão de factos distorcidos, análises subjetivas e mesmo notícias falsas; compreende-se, assim, que empresas que operam na área das tecnologias e do mundo digital se empenhem em contrariar essas ocorrências; referiremos, a propósito, que há pouco mais de uma semana, a Google passou a disponibilizar, gradualmente pelos vários continentes, um marcador de verificação de dados; ou seja, sempre que for feita uma pesquisa no Google Notícias é associada uma área no ecrã do computador, ou dos dispositivos móveis, onde são assinalados mais resultados sobre o assunto em questão.

Mas voltando ao Rádio, importa sublinhar que a qualidade, o rigor, a boa comunicação, a leitura atenta da realidade, a perceção clara das mudanças e cenários e a oferta diferenciadora são as linhas estratégicas para o sucesso; ao nível das propostas informativas, musicais e culturais é bom não esquecer a importância da voz que não deve ser relegada para um papel secundário.

A voz é indissociável do Rádio, convertendo-o em magia e paixão; daí a importância de alimentar com palavras, com voz (o Dia Mundial da Voz foi assinalado no passado domingo, 16 de abril, e serviu de mote para a escolha das Anotações de hoje), mesmo os espaços radiofónicos inseridos em horários com menor índice de audição.

É a voz que dá a dimensão à presença do rádio, seja qual for o ponto ou lugar de sintonia; faz a diferença perante minutos e minutos sequenciais de música. A força do Rádio está na dinâmica e na postura de quem o faz, na sua capacidade de comunicação. Um bom comunicador marca, inquestionavelmente, a diferença, seja qual for a tipologia do programa: um espaço noticioso, um programa de opinião, uma crónica, uma reportagem ou simples apontamento. E sempre com textos cuidados, com frases consentâneas com a linguagem radiofónica. Já Vergílio Ferreira escrevia que «uma boa frase é como uma boa anedota: dá brilho a quem a inventa e sobra ainda para quem a repete»…

Por: Hélder Sequeira


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