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Edição de 22-06-2017
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Arquivo: Edição de 20-04-2017

Secção: Opinião

Porque continuamos a falhar
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Em “Porque Falham as Nações” (Círculo de Leitores, 2013), Daron Acemoglu e James A. Robinson distinguem dois tipos básicos de sociedades: as extrativas, em que um grupo domina e explora os demais, e as inclusivas, em que todos têm uma oportunidade de prosperar. São exemplos da primeira espécie países como Angola, Venezuela, Bolívia, Rússia ou a China, e da segunda o Canadá, a Austrália, os Estados Unidos da América, o Reino Unido ou, em geral, qualquer país da Europa Ocidental ou do mundo anglo-saxónico. Aqui, a «destruição criativa», de que depende o progresso e a substituição do velho ou obsoleto pelo novo, ou moderno, ou mais eficiente, ou as instituições e princípios fiáveis, democráticos, previsíveis, são propícios a um bom desempenho económico e ao desenvolvimento de sociedades equilibradas e prósperas. Ali, as economias ou dependem de um só fator, como a cotação do petróleo, para serem minimamente viáveis, ou não são viáveis de todo e nunca o serão para a maioria. Quem quer investir tem de corromper, a riqueza gerada pela sociedade serve sobretudo para enriquecer uma clique incompetente, agarrada ao poder como à vida, onde se discute cada eleição, quando as há, como se fosse uma questão de vida ou de morte - porque cada eleição serve sobretudo para garantir o acesso à manjedoura.

E onde fica nisto Portugal? Durante séculos fomos uma sociedade extrativa e exportámos para todo o mundo o nosso modelo. É verdade que houve momentos de pura destruição criativa e criaram-se condições para o progresso de toda a sociedade, mas cedo também se cristalizou a tendência de limitar a apenas alguns o acesso à riqueza e de transformar o Estado num maquinismo que serve para garantir isso mesmo. É verdade também que somos hoje um país do primeiro mundo, mas os tiques das sociedades extrativas mantêm-se: o Estado serve sobretudo para sugar recursos à sociedade, que distribui depois, na forma de empregos, subsídios, empreitadas ou contratos, a estes ou àqueles, mas sempre aos mesmos e, na melhor das hipóteses, rotativamente entre os partidos do poder. As eleições são sempre crispadas, as oposições sempre histéricas e os vencedores sempre ávidos de iniciar o festim.

Esteve cá a troika, em missão parcialmente pedagógica, mas quisemos deixar o essencial na mesma. Mantiveram-se as servidões, os privilégios, o sistema de cunhas, a rotatividade no acesso à manjedoura: uns sugam, outros dão sangue.

Por: António Ferreira


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