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Edição de 17-08-2017
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Arquivo: Edição de 16-03-2017

Secção: Opinião

Pudim de cedro
Tempo de leitura: 4 m
 
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Deus quer (?), um homem sonha, a Guarda renasce (?). Foi já sob esse signo que se cumpriu um ano desde que a Av. Cidade de Salamanca participou numa espécie de formato televisivo “Extreme Makeover” mas em mau. A imagem de marca de um dos principais eixos de entrada da cidade foi transfigurada e ficou comprometida por muitas décadas. Ainda que o objetivo declarado fosse o de dar luz, salubridade e segurança à avenida, acredito que a arrojada intervenção, de tão explícita e declarada que tornou a arquitetura dos edifícios, poderia ter provado que existe vida além da morte, já que com toda a certeza o eterno descanso de Le Corbusier ficou comprometido.

Curiosamente, das propostas que constam do estudo para a requalificação da avenida, que contemplava, entre muitas outras coisas, a construção de eixos de ligação ecológicos pedonais e cicláveis, organização de desníveis com escadas, pavimentação de granito, estreitamento da via, alargamento dos passeios, sobreelevação de passadeiras de peões, apenas o corte dos cedros e tílias foi concretizado. Um imenso rol de boas intenções, mas ao nível da atriz Érica Fontes em relação à castidade, pois culminou num imenso pecado pouco original. Uma verdadeira ode ao instinto de nativos lenhadores, já que da pesquisa feita em vários manuais de biologia nenhum deles faz referência a motosserras no ciclo de vida das Gimnospérmicas.

O conjunto arbóreo que configurava um corredor verde de sombra quase que ininterrupta, desde a estação de caminho-de-ferro até à rotunda dos “efes”, foi em três anos sendo progressivamente dilacerado. Desde os rolamentos abusivos de tílias na Av. Cidade de Waterbury, abate de árvores na Av. Cidade de Bejar para fazer uma mini autoestrada citadina, rotunda da Luz, rotunda da “Ti-Jaquina” e, cereja no topo do bolo da mutilação e aniquilação, a Av. Cidade de Salamanca, comprovam que a insatisfação popular não nasceu em março de 2016, foi, isso sim, um basta nesta política de gestão do parque arbóreo, património de todos os guardenses. Um basta que é para quem gere este importante património uma falácia, já que o valor que lhe atribui é tão pouco que, genuinamente, não acredita que haja alguém interessado em lutar por ele sem que a vil politica se intrometa.

Haverá muitas receitas para a gestão este património, mas fica aqui a receita de um delicioso pudim que não será digno de figurar no cardápio de um restaurante com estrelas Michelin, nem de nenhuma menção honrosa da APAP, mas que deverá chegar para adoçar o bico nesta vertiginosa avalanche de festas e inaugurações que se antecipam para a escaldante Primavera/ Verão 2017.

Ingredientes

Uma Avenida Central; 3 frascos de Bom Ar da Guarda; 1 estudo fitosanissanitário das árvores da cidade; 1 estudo de rearborização da avenida; 50 Cedros dos Himalaias maduros; 80 árvores de “Grande Porte”; 20 pseudo ambientalistas; 1 providência cautelar; algumas dezenas de crianças; algumas dezenas de milhares de euros.

Preparação:

Escolha uma avenida, Bata os dois estudos e alguns milhares de euros do pudim no liquidificador até que não se distingam bem e despeje na avenida, reserve.

Corte os 50 cedros maduros e misture com os três frescos do Bom ar da Guarda;

Asse em banho-maria os 20 pseudo ambientalistas e a providência cautelar, em forno médio (180º C) durante cerca de um mês. Aguarde pelo Dia Mundial da Árvore.

Para cobertura, convoque dezenas de crianças, junte festa a animação, meia xicara de indignação e mexa com uma colher. Quando tudo estiver dissolvido adicione mais uns milhares de euros e deixe engrossar a calda. Misture tudo e enfeite com 80 árvores novas de grande porte com a ajuda das crianças para esvaziar a argumentação dos pseudo ambientalistas.

Serve-se frio e saboreia-se preferencialmente com a testa, porque por aqui, já dizia José Severino, “Eu é mais bolos…”

Por: Pedro Narciso


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Comentários dos nossos leitores
nunoilex07@hotmail.com
Comentário:
Enquanto muitas capitais por esta Europa afora tentam arborizar os seus espaços, muitas cidades do nosso interior ainda cultivam o culto ao betão como sinónimo de desenvolvimento.
 

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