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Edição de 12-10-2017
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Arquivo: Edição de 16-03-2017

Secção: Editorial

Editorial
“Normaal”
Por: Luis Baptista-Martins
Tempo de leitura: 3 m
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Quem já visitou a Holanda ou conhece ou convive com holandeses sabe que uma das características idiossincráticas do povo dos Países Baixos é a discrição. “Normaal” é o vocábulo! E por todo o lado se percebe que as pessoas têm na “normalidade” a sua expressão social de reserva e circunspeção. Não sobressair «no meio de um campo de relva» é uma máxima para os holandeses e até a família real tem na discrição a sua máxima – até o palácio real é de uma sobriedade e “normalidade” surpreendente. A riqueza não se exibe, a ostentação é rara, os luxos dão lugar à sobriedade com que a maioria das pessoas vive.

Este sentimento de normalidade foi “construído” no pós-guerra de um país desfeito pela fúria nazi, que foi um dos fundadores da União Europeia e que tem um dos níveis de vida mais elevados do continente. Mas que é também um estado democrático com uma pluralidade liberal que aceita as diferenças e cresceu sabendo acolher e integrar essas dissemelhanças. Por isso, quando vemos a forma como os turcos reagem à proibição de comícios do presidente da Turquia (Tayyp Erdogan pretende alterar a Constituição que lhe dará poderes “absolutos”) não é de estranhar que o primeiro-ministro Mark Rutte ao dirigir-se à população diga: «Ajam normalmente, ou então vão embora». Numa altura em que a própria Holanda vai ter eleições, onde o partido de extrema-direita de Geert Wilders vai crescer, a defesa da normalidade é ainda mais importante – a entrada na campanha dos ataques turcos à democracia holandesa deverá dar mais votos à extrema-direita.

A Europa reage com cautela, mas tem de ter uma opção clara de defesa dos estados democráticos europeus, das suas regras e das suas convicções. Integrar é uma opção europeia, mas cada vez mais vamos ouvir a expressão holandesa: Ajam normalmente, ou vão-se embora!

Notar pelo meio que Erdogan foi domesticando a oposição interna e desmantelou a imprensa livre (fechou jornais, prendeu jornalistas e sujeitou os editores que, para sobreviverem, não podem criticar o presidente) – de resto, um pouco como ocorre em muitos ouros lugares com a diferença de escala e de notoriedade: na Turquia é uma evidência, em outros países, cidades e lugares faz-se à escala local, impondo, reprimindo, recriminando, cortando publicidade, ameaçando… a liberdade de imprensa está sempre no fio da navalha.

Erdogan cavalga o nacionalismo contra os valores democráticos e liberais do ocidente, instigando os turcos contra a Europa. Este discurso, em crescendo, vai promovendo a inflamação das comunidades turcas, em primeiro lugar, e islâmicas no seu todo, posteriormente. A Europa vai ser cada vez mais um lugar inseguro. O alfobre da radicalização cresce e os partidos xenófobos de extrema-direita têm bases de apoio cada vez maiores a defenderem a resposta violenta, a expulsão dos emigrantes, os ataques à dissemelhança, a irradicação do respeito pelos valores culturais europeus, a proibição do hijab e das práticas religiosas dos emigrantes…

O medo que os terroristas e os extremistas vão espalhando não pode vencer. Evitar o conflito e ser “Normal” é o caminho que permitirá continuar a integrar as comunidades diferentes e defender uma sociedade moderna e democrática. Como na Holanda, por toda a Europa devemos reagir com “normalidade”, em defesa da liberdade e da democracia.


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